O ministério de ensino de Jesus


INTRODUÇÃO

– Na continuidade do estudo dos ministérios de Jesus, analisaremos o Seu ministério de ensino. Se houve um título que Jesus sempre aceitou foi o de Mestre (Jo.13:13), numa clara demonstração de que sempre quis ser reconhecido como tal. Isto já nos permite observar como o ministério de ensino se encontra no âmago da missão do Senhor.

– Lucas, ao sintetizar o ministério terreno de Jesus, no início do livro de Atos dos Apóstolos, disse que Jesus, na Terra, veio “fazer e ensinar” (At.1:1), numa outra prova bíblica de que o ensino foi um dos pilares de todo o ministério terreno de Cristo. De igual maneira, a Igreja, corpo de Cristo que é (I Co.12:27; Ef.4:12), deve dar prioridade ao ensino da Palavra de Deus enquanto o Senhor não vem para arrebatá-la.

I – O QUE É ENSINAR

– “Ensinar”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “repassar (a alguém) ensinamentos sobre (algo) ou sobre como fazer (algo); doutrinar, lecionar”; “transmitir experiência prática a; instruir (alguém) por meio de exemplos”; “tornar (algo) conhecido, familiar (a alguém); fazer ficar sabendo”; “dar lições a; instruir”; “mostrar (a alguém) as conseqüências ruins de seus atos”; “mostrar com precisão; indicar”. A palavra vem do latim “insigno”, cujo significado é “’pôr uma marca, distinguir, assinalar”.

– Percebe-se, pois, de pronto, que ensinar é passar conhecimento sobre algo ou alguém para outrem. Temos daí porque Jesus é o ensinador por excelência, é a pessoa que deveria, como nenhuma outra, trazer conhecimento ao ser humano. Jesus veio com a tarefa principal de fazer Deus conhecido do homem. Sendo o próprio Deus, Jesus tinha, por missão, fazer com que o homem viesse a conhecer Deus na plenitude, ou seja, somente alguém divino poderia fazer Deus plenamente conhecido pelo homem, obviamente levando-se em conta a limitação própria do ser humano.

– Quando o profeta diz que o Messias seria o “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco”

(Is.7:14; 8:8), estava, entre outras coisas, dizendo ao povo que uma das missões do Messias seria fazer com que os homens vissem a Deus, percebessem a presença de Deus, ou seja, tivessem conhecimento a respeito de Deus. O próprio Jesus confirma isto, ao afirmar, nas Suas últimas instruções, que havia feito os discípulos saber tudo quanto havia ouvido de Seu Pai (Jo.15:15).

– Por isso, uma das missões principais de Jesus era o “ensino”, vez que “ensinar”, como vimos, nada mais é que fazer conhecido algo a outrem. Jesus tinha de revelar Deus aos homens, uma revelação completa e que fosse o ponto culminante e terminal de toda a revelação progressiva, que se iniciara com a própria criação (Rm.1:19,20). Por isso, o escrito aos hebreus nos diz que, nos últimos dias, Deus Se revelara pelo Filho (Hb.1:1).

– Jesus, sendo Deus, tinha o conhecimento de quem é Deus como nenhum outro ser. Despido de Sua glória, Jesus, porém, não estava despido de Seu conhecimento a respeito de Si mesmo. Como homem, no tempo certo, adquiriu consciência e, ao contrário dos demais seres humanos, optou pelo bem e não pelo mal (Is.15,16). Nesta conscientização, soube que era o Filho, e que, como tal, deveria fazer o Pai conhecido dos homens. Vemos a prova desta consciência quando, já responsável diante da lei, debateu com os doutores no templo de Jerusalém (Lc.2:46-49).

– Neste episódio, vemos como Jesus já demonstrava que o ensino da Palavra de Deus era um dos principais pilares de Seu ministério. Embora ainda não estivesse comissionado para iniciar o Seu ministério público, no exato instante em que Se tornava responsável diante do povo de Israel pelo cumprimento da lei, Jesus iniciou uma discussão a respeito dos “negócios de Seu Pai” junto aos doutores, que eram os mestres daquele tempo, os responsáveis pelo ensino da lei a Israel.

– Dizem as Escrituras que Jesus estava assentado no meio dos doutores, ouvindo-oss interrogando (Lc.2:46). Vemos, nesta passagem, três pontos importantes para que possamos compreender não só o ministério de ensino de Jesus como também como devemos desempenhar o ministério de ensino na Igreja.

– Por primeiro, vemos que Jesus foi ao encontro dos doutores, ou seja, de quem sabia a Lei. Não se pode ser um verdadeiro ensinador se não se tem conhecimento. Jesus, como era o próprio Deus, tinha pleno conhecimento das coisas de Deus, mas não deixou de ir ao encontro dos mestres. Para ensinar é necessário, em primeiro lugar, aprender. Jesus foi ao encontro dos doutores, reconhecendo, assim, a qualidade de mestres daqueles homens. Não Se portou como um “sabichão”, mas foi falar com os “entendidos”.

– Jesus dá-nos, assim, grande exemplo. Devemos primeiro aprender para depois ensinar. Jesus só mandou Seus discípulos ensinarem, depois que com Ele haviam aprendido mais de três anos. O apóstolo Paulo determinou que os que fossem escolhidos para ser obreiros deveriam ser “aptos para ensinar” (I Tm.3:2), ou seja, que, antes, tenham aprendido. No entanto, nos dias difíceis em que vivemos, muitos querem ensinar sem nunca terem sido alunos…

– Por segundo, vemos que Jesus teve, como primeira atitude junto aos doutores, a de ouvir. Jesus não chegou junto aos doutores e iniciou um eloqüente discurso. Muito pelo contrário, chegou junto aos doutores e começou a ouvi-los. Era natural que a aproximação de um simples menino de doze anos tenha causado alguma surpresa junto àqueles homens, ainda que os meninos, via de regra, fossem desprezados. Entretanto, não era costumeiro que alguém de tão tenra idade se aproximasse deles. Jesus, porém, iniciou Sua estada ali ouvindo o que se falava.

– Até hoje, é costume nas escolas rabínicas que os alunos mantenham silêncio no início de seus estudos. Ouvir é uma atitude indispensável para quem quer aprender, não sendo por outro motivo, aliás, que fomos criados com dois ouvidos e apenas uma boca. Quem fala demais, quem não ouve, costuma nada aprender ou aprender muito pouco, tendo muitos percalços e dificuldades ao longo de sua vida. O sábio Salomão aconselha-nos mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos (Ec.5:1).

– Para que se possa ensinar, é preciso, antes de mais nada, ouvir, o que faz parte do aprendizado indispensável para quem quer ser mestre. Jesus é o Mestre por excelência porque, na primeira oportunidade que teve de ir ao templo e de se encontrar com os doutores, soube ouvi-los, tomou a iniciativa de ouvir. Quem não ouve, não pode falar. Quem não ouve, não pode ensinar.

– Dirá alguém que Jesus, sendo a própria Palavra, não necessitava aprender com os doutores e, prova disso, é que demonstrou a eles um conhecimento que não havia obtido em lugar algum, muito menos com os doutores (ainda que, sabemos, Jesus deve ter sido levado à sinagoga, como toda criança judia de seu tempo). Mas isto não O impediu de, primeiramente, ouvir o que os doutores estavam a falar, até porque, para que bem ensinemos, devemos ter consciência do nível de conhecimento dos alunos, devemos entender e saber a linguagem dos aprendizes.

– Uma das características primordiais do ministério de ensino de Jesus é o fato de que Jesus Se fazia compreender pelos que Lhe ouviam. Jesus era acessível à multidão de Seus ouvintes, Jesus Se fazia compreender e isto é fundamental para um mestre. O mestre tem de ter conhecimento, mas isto é insuficiente para que possa ensinar. É absolutamente indispensável que o mestre se faça compreender pelos alunos, ou seja, que o que sabe tenha condições de ser assimilado pelos alunos, que ele saiba transmitir o que sabe aos alunos. Para tanto, o mestre precisa “falar a língua do aluno”, ou seja, precisa ter ouvidos bem atentos, saber ouvir a fim de que apreenda o nível de seus alunos e, assim, possa ser eficaz e eficiente na transmissão dos conhecimentos.

– Foi por este motivo que Jesus, ao Se aproximar dos doutores, primeiramente os ouviu, para saber qual era o seu nível, qual era o seu conhecimento a respeito das coisas de Deus, qual era o seu grau de intimidade com as Escrituras, qual era a sua espiritualidade. Tendo, pois, ouvidos atentos, Jesus pôde Se situar, a fim de que pudesse dar um ensino eficiente àqueles homens.

– Após tê-los ouvido o suficiente, Jesus começou a interroga-los. Esta é a terceira atitude que deve ter um ensinador. Fazer perguntas é um dos melhores métodos para ensinar. Três séculos antes de Jesus, na Grécia, surgira um filósofo que iria, ao lado de Jesus, dar os parâmetros do pensamento ocidental: Sócrates de Atenas. Um dos pontos comuns entre Sócrates e Jesus está, precisamente, na técnica de ensinar através de perguntas, de despertar a atenção dos alunos por meio de perguntas surgidas das próprias afirmações pronunciadas por aqueles que têm de aprender. Por isso, o método de ensino por meio de perguntas é chamado de “método socrático”.

– Por meio de interrogações, o ensinador não só desperta o interesse do aprendiz, trazendo-lhe motivação para o aprendizado, como também faz com que o próprio aprendiz conclua a sua ignorância. Séculos antes do próprio Sócrates, foi o método utilizado pelo Senhor para mostrar a Jó a sua pequenez (Jó 39-41). O método, com relação ao patriarca, foi bem sucedido, pois, num gesto que foi determinante para o fim de sua provação, Jôó pôde confessar a sua ignorância (Jó 42:3).

– Depois de ter se aproximado dos doutores, ouvido e os interrogado, iniciando com eles um diálogo, Jesus passou, então, a falar, dando respostas e propondo novas perguntas a ponto de causar admiração a todos quantos ali estavam (Lc.2:47). Jesus mostrou, então, toda a Sua inteligência. Inteligência, ao contrário do que alguns acham, não é erudição, mas, sim, “capacidade de apreender e organizar os dados de uma situação, em circunstâncias para as quais de nada servem o instinto, a aprendizagem e o hábito; capacidade de resolver problemas e empenhar-se em processos de pensamento abstrato”.

-Foi, precisamente, o que Jesus mostrou àqueles doutores nas suas perguntas e respostas: uma capacidade de apreender e organizar o conteúdo das Escrituras, de tal maneira que lhes fizesse conhecer a verdade, o que Deus queria, efetivamente, transmitir ao Seu povo através da lei e dos profetas.

– Não ficou registrado o que Jesus disse e o que levou à admiração daqueles doutores, mas, sem dúvida alguma, o Senhor mostrou-lhes que era chegado o tempo da revelação completa de Deus na pessoa do Messias e que se tinha de exercer uma justiça que estivesse além da justiça formal, então tenazmente defendida pelos fariseus. Como Jesus é o mesmo (Hb.13:8), temos que o que tenha ensinado não difere coisa alguma daquilo que, depois, publicamente ensinou no sermão do monte, onde se encontra a essência da doutrina cristã (Mt.5-7).

–                      Quando Seus pais lhe encontraram no templo, assentado no meio dos doutores, Jesus disse que o ensino era “tratar dos negócios de Seu Pai”. O ensino a que Jesus Se dedicara e Se dedicaria ao longo de Seu ministério público era, pois, o ensino das “coisas de cima” (Cl.3:1,2). O ensino é, fundamentalmente, o ensino da Palavra de Deus, o ensino das Escrituras. Ser mestre é, sobretudo, revelar as coisas de Deus, as instruções de Deus para o Seu povo. Não é outro o motivo pelo qual o maior de todos os mestres, para os judeus, era Moisés, aquele que havia sido escolhido por Deus para trazer a lei, ou seja, as “as palavras de Deus” ao povo (Ex.20:1). Até hoje os judeus chamam a Moisés de “nosso mestre” (“Moshe rabenu”) e, como nos dá conta o próprio Jesus, o lugar dos mestres em Israel era simplesmente chamado de “cadeira de Moisés” (Mt.23:2).

– Ainda sobre este episódio da adolescência de Jesus, tão ilustrativo de Seu ministério de ensino, vemos, também, que Jesus foi encontrado pelos Seus pais “assentado entre os doutores” e, sabemos que, naquela época, ao contrário dos nossos dias, os mestres ensinavam sentados, enquanto os alunos permaneciam em pé, com exceção dos melhores alunos que, por sua distinção, eram autorizados a ficar aos pés do mestre (que sempre se sentava num lugar mais elevado que os dos alunos). É por isso que ficamos a saber que Paulo tinha sido um dos melhores alunos de Gamaliel, já que o apóstolo diz que estudou “aos seus pés” ( At.22:3). Deste modo, percebemos que, ao término de três dias, Jesus já tinha sido reconhecido como um mestre no templo, ou seja, Sua inteligência e respostas foram tantas que, apesar de contar com apenas doze anos de idade, já Se encontrava assentado entre os doutores.

II – O ENSINO DE JESUS

– Depois desta verdadeira “avant-première” do Seu ministério de ensino aos doze anos de idade, iremos encontrar Jesus ensinando logo no início de Seu ministério público. Ao retornar da tentação no deserto, Jesus iniciou Seus ensinos nas sinagogas (Lc.4:15). Ao mesmo tempo em que começava a pregar (Mt.4:17; Mc.1:15), também começou a ensinar. Pregação e ensino são os dois pilares indispensáveis do ministério de Jesus e devem ser o da Igreja até a volta do Senhor.

– Jesus ia às sinagogas e lá ensinava. A “sinagoga”, como o nome grego indica, era um lugar onde todos “juntos ensinavam e aprendiam”. É a reunião para o ensino, o local onde os judeus, desde o cativeiro da Babilônia, reuniam-se para orar e estudar as Escrituras. Depois do cativeiro da Babilônia, mesmo com a reconstrução do templo, as “sinagogas” permaneceram e se constituem, até o dia de hoje, numa das marcas do povo judeu em todo o mundo.

– Jesus, até o início do Seu ministério público, não demonstrava o Seu conhecimento das Escrituras, salvo o episódio do templo quando tinha doze anos de idade. Tanto assim é que, em Nazaré, cidade onde foi criado, Sua destreza nas Escrituras foi alvo de admiração por parte dos Seus “conterrâneos” (Lc.4:22). Jesus não havia freqüentado nenhuma das academias então existentes em Israel (um século antes de Jesus, o surgimento destas academias de estudo das Escrituras tinha sido um fator relevante para a história de Israel). Assim, o conhecimento demonstrado na exposição das Escrituras foi, mesmo, fator de admiração a quem havia visto aquele jovem crescer e se desenvolver naquele pequenina aldeia como qualquer outro de sua idade.

– No entanto, e isto é fundamental, não residia na circunstância de Jesus ser Deus o fato de Seu ensino. Se assim fosse, só Ele poderia, efetivamente, ensinar a respeito de Deus. No entanto, embora fosse a própria Palavra e, como tal, não houvesse quem pudesse trazer a revelação completa de Deus, a transmissão deste conhecimento, que é o ensino propriamente dito, somente foi possível porque Jesus, enquanto homem, como já o sabemos, havia sido ungido pelo Espírito Santo no Seu batismo.

– Assim como iniciou a pregar somente depois desta unção, Jesus também só começou a ensinar a partir desta unção. Ungido pelo Espírito Santo, podia, como homem, transmitir as coisas concernentes a Deus, porque “o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus(…) ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.(…). Quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lO? Mas nós temos a mente de Cristo.(I Co.2:10-16).

– É importante termos uma erudição, aprendermos das coisas relacionadas com a ciência, com a filosofia e, mesmo, com a teologia, que é o estudo sistemático e racional daquilo que foi revelado por Deus nas Escrituras, mas, e Jesus nos deixa bem claro em Seu ministério, o ensino da Palavra exige, em primeiro lugar, a unção do Espírito de Deus. O que o povo de Nazaré admirou no ensino de Jesus não foi tanto o fato de ter achado, com facilidade, a passagem no livro de Isaías (o maior de todos os rolos das Escrituras hebraicas), mas, sim, o fato de que, em sua exposição, havia “palavras de graça que saíam de Sua boca” (Lc.4:22).

– O ensino de Jesus é, em primeiro lugar, o ensino da Palavra de Deus. Sempre encontramos Jesus ensinando o que havia nas Escrituras, o que estava escrito por determinação de Deus. O ensino de Jesus é das “coisas de cima”, é algo que está centrado exclusivamente na Bíblia. Afinal de contas, são as Escrituras que testificam a respeito dEle (Jo.5:39). O tema dos ensinos de Jesus era um só: a Palavra de Deus (Jo.12:47-50).

– Mas, além de o tema do ensino de Jesus serem as Escrituras, vemos que este ensino era fruto da unção do Espírito Santo, ou seja, Jesus demonstrava ter o Espírito de Deus, revelando, assim, o que havia nas Escrituras segundo o sentido do seu autor, que é o próprio Deus. Jesus dava às Escrituras o sentido divino, porque o Espírito de Deus nEle estava. As palavras que saíam de Sua boca eram “palavras de graça”, ou seja, palavras que vinham com poder, como resultado de uma intimidade entre Deus e o ensinador.

– É neste ponto que se revela a inteligência de Jesus, uma inteligência que, seguindo os padrões atuais dos estudiosos, poderiam denominar de “inteligência espiritual”. “Inteligência”, em grego, é “synesis” (???????), palavra que tem sido utilizada, na atualidade, para designar a construção sintática a partir do sentido, ou seja, a capacidade de construir um pensamento a partir do significado das palavras. Era, precisamente, o que Jesus fazia ao ensinar: trazer o sentido divino do texto escrito e revelado aos homens pelo próprio Deus.

– Por isso, ainda hoje, pessoas, como Jesus, que não freqüentaram grandes universidades, nem ostentam títulos acadêmicos, nem tampouco são “doutoras em divindade”, são capazes de ministrar estudos profundíssimos, extraindo riquezas do texto bíblico, porque são dotadas de “inteligência espiritual”, ou seja, têm a unção do Espírito Santo, estão envoltas pelo Espírito de Deus e, por isso, compreendem as coisas espirituais, podendo nos transmitir o que o Senhor tem deixado em Sua Palavra.

– O ensino de Jesus, portanto, era o ensino das Escrituras com a unção do Espírito Santo, daí porque seu assunto era a Bíblia (até então, só as Escrituras hebraicas) e com a graça de Deus. Tinha, sim, conhecimento do que continha a Bíblia (é a própria Palavra e não deixou de ouvir aqueles que deveria ensinar, a fim de que pudesse ser compreendido), mas, além deste conhecimento, era ungido pelo Espírito Santo, transmitindo não só conhecimento, mas graça quando abria a Sua boca.

– Moisés, o “Nosso Mestre”, como o chamam os judeus até hoje, era também alguém que tinha o Espírito de Deus e, por isso, podia ensinar as palavras de Deus ao povo. Tanto tinha o Espírito de Deus que, num determinado instante de seu ministério, o Senhor disse que tiraria do Espírito que estava sobre Moisés e o poria sobre setenta anciãos, para que eles auxiliassem o líder na condução de Israel (Nm.11:16,17). É a partir desta passagem que os israelitas construíram a noção do Sinédrio, a maior corte judaica, a quem cabia a última palavra na interpretação da lei.

– Não há como se ensinar a Palavra de Deus, portanto, sem que se esteja ungido pelo Espírito Santo. Os apóstolos, para ensinarem a Palavra, receberam o Espírito Santo (Jo.20:22), como também foram revestidos de poder (At.2:3,4), a fim de que pudessem desincumbir eficazmente do ministério da palavra 9At.6:4), que envolvia também o ensino, a chamada “doutrina dos apóstolos” (At.2:42; 5:42).

– Mas Jesus, além de ensinar a Palavra de Deus e de ser, para tanto, ungido pelo Espírito Santo, também apresentava um poderoso fator que distinguia o Seu ensino de todos os outros mestres de Seu tempo: ensinava com autoridade (Mt.7:29).

– Com efeito, ao terminar o “sermão do monte”, Mateus nos dá conta de que o povo ficou admirado com o ensino de Jesus, não pelo que o Senhor havia falado, pois, como fazem questão de mostrar os rabinos judeus, o que Jesus ensinou no sermão do monte não era desconhecido de Israel naquela época. Muito do que Jesus disse, já havia sido ensinado pelos grandes mestres judeus Hilel (30 a.C.- 20 d.C.) e Shamai (séc. I a.C.). Assim, não era tanto “o que” foi ensinado que causou a admiração da multidão, mas o fato de que Jesus, ao contrário dos escribas (discípulos daqueles mestres, em sua grande maioria), tinha um testemunho de vida condizente com o que ensinava. Jesus vivia o que ensinava, o grande diferencial entre Seu ensino e o dos demais mestres, daí porque Seu ensino tinha “autoridade”.

Eescritor: Dr. Caramuru Afonso

Sobre Andre Magalhaes

Meu Senhor é Jesus
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Uma resposta para O ministério de ensino de Jesus

  1. Edmiro Freitas disse:

    Material de excelente qualidade, instrutivo e referenciado na palavra. bastante proveitoso.

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