Jesus, Filho de Davi


– Na continuidade do estudo dos ministérios crísticos do Senhor Jesus, meditaremos, hoje, sobre o ofício de rei.

 

– O terceiro ofício de Jesus é o de rei. Desde o início da monarquia em Israel, os reis eram ungidos. Depois da rejeição de Saul, Deus mandou que Samuel ungisse a Davi e o Senhor prometeu que a descendência de Davi jamais deixaria o trono de Israel (II Sm.7:12-17). Esta promessa se cumpre, precisamente, em Jesus que, segundo a genealogia, era o herdeiro presuntivo da coroa de Judá (Mt.1:1-17).

 

I – A FIGURA DO REI EM ISRAEL

 

– Para que possamos compreender o ofício real de Jesus faz-se preciso que, antes, estudemos a história de Israel, para descobrirmos em que contexto surgiu a figura do rei em Israel.

 

– Desde que a humanidade foi expulsa do Éden, vemos que, em sua organização, havia a figura do governo. Caim, ao fundar a primeira cidade de que se dá notícia na Bíblia, deu a ela o nome de seu filho, Enoque (Gn.4:17), mostrando, desta maneira, o domínio que tinha em relação aos demais habitantes desta cidade, já que dar nome era demonstração de poder e domínio sobre alguém (cfr. Gn.2:19,20).

 

– Surge, então, logo no limiar da história da humanidade, o poder político, ou seja, o poder de mando sobre os demais seres humanos de uma determinada comunidade, poder este que, por causa da natureza pecaminosa do homem, cedo se tornou um poder desafiador à soberania divina, como se vê no episódio da torre de Babel, quando o poder era exercido em nítida oposição ao senhorio divino (Gn.10:8-12; 11:4).

 

– A orientação do poder político em oposição a Deus foi o principal motivo para a destruição da comunidade política única existente em Babel e que deu origem às nações, sendo esta a característica principal dos gentios, que nada mais são que os integrantes daquela comunidade.

 

– Assim, quando o Senhor formou uma nova nação, Israel, deu-lhes a proposta de serem uma “nação sacerdotal”, “propriedade peculiar de Deus dentre os povos” (Ex.19:5,6), proposta que foi imediatamente aceita pelos israelitas (Ex.19:8). O resultado disto foi que se estabeleceu, em Israel, um regime político totalmente diferente dos das demais nações, regime a que se denominou de “teocracia”, ou seja, o “governo de Deus”. Deus era o governante do povo, que, assim, não tinha um rei.

 

– Assim, a partir de Moisés, ele mesmo um grande líder, mas que jamais se fez rei, Deus passou a governar diretamente o Seu povo, por meio da lei, havendo, na organização política de Israel, autoridades, é bem certo, mas sem que ninguém se arrogasse o direito de reinar sobre os demais. Este estado de coisas persistiria até o tempo de Samuel, quando o povo, então, cansado da corrupção dos filhos de Samuel e tendo tido uma conscientização nacional, obra do próprio Samuel, resolveu ter um rei (I Sm.8:1-5).

 

OBS: Muitos dizem que Moisés foi uma espécie de rei em Israel, usando como “fundamento” Dt.33:5. Entretanto, como entendem os melhores comentaristas, este “rei” não é Moisés, mas, sim, o próprio Deus, tanto que assim traduz o texto a Bíblia Hebraica, na versão de David Gorodovits e de Jairo Fridlin: “E o Eterno foi rei em Ieshurun, sempre que se congregaram os cabeças do povo em paz, junto com as tribos de Israel.”

 

– É importante observar que, quando o povo de Israel pediu um rei, admitiu que o fazia tendo como modelo as demais nações, bem como que o texto sagrado deixa bem claro que este gesto representava a rejeição de Deus como rei (I Sm.8:7).

 

– A figura do rei, em Israel, portanto, surgiu em virtude de um pedido do povo para que se substituísse a “teocracia” pela “monarquia”. Passou a existir, pois, a figura do rei em Israel, figura esta que não era desconhecida da lei de Moisés, pois, Deus, em Sua presciência, já estabelecera regras para a eventual criação do reino (Dt.17:14-20).

 

– O rei deveria, em primeiro lugar, ser escolhido por Deus (Dt.17:15). Daí porque estarmos diante de um ofício crístico, pois o rei é pessoa que deveria ser escolhida por Deus. O primeiro rei de Israel, Saul, foi escolhido pelo próprio Deus (I Sm.9:14-17), assim como Davi (I Sm.16:1) e toda a sua descendência (II Sm.7:11). O mesmo se deu com relação a Jeroboão (II Rs.11:31), Baasa (I Rs.16:2) e Jeú (II Rs.9:3), mas não em relação a Onri, pai de Acabe (I Rs.16:21). Um dos motivos pelos quais o povo do reino do norte foi destruído foi, precisamente, o fato de ter passado a escolher reis sem a orientação do Senhor (Os.8:4), o que passou a ser regra após o término da dinastia de Jeú.

 

– Também, é por este motivo que os reis da dinastia dos asmoneus ou macabeus, que foi constituída em Israel durante os anos 167 e 63 a.C., no período intertestamentário, não são válida e legitimamente reis em Israel, uma vez que não foram escolhidos por Deus, mas, sim, constituídos pelos próprios homens. Aliás, conforme nos conta a história, somente o terceiro dos líderes macabeus (que eram sacerdotes e, portanto, da tribo de Levi e não da tribo de Judá), chamado João Hircano, que recebeu o título de rei, prova de que não era nem da intenção dos macabeus a constituição de uma monarquia, mas, sobretudo, a restauração do culto a Deus, que havia sido proibido pelo rei sírio, que então dominava a Palestina.

 

OBS: Flávio Josefo acrescenta ainda que só Aristóbulo, filho de João Hircano, foi o primeiro macabeu a se fazer coroar rei: “… Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado Filelés, isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei…” (JOSEFO, Flávio. Antiguidades judaicas, XIII, 19, 546. Trad. Vicente Pedroso. In: História dos hebreus, v.2, p.52).

 

– Outra característica que deveria ter o rei em Israel é que deveria ser um natural de Israel, nunca podendo ser um estrangeiro (Dt.17:15). Eis o motivo pelo qual a constituição de Herodes, um idumeu (ou seja, descendente de Edom) sobre os israelitas, pelo governo romano, em 40 a.C., o que teria dado continuidade à realeza instaurada pelos macabeus, não se constituiu em uma válida e legítima restauração do reino em Israel.

 

– Uma terceira característica que deveria ter o rei é a de que não poderia multiplicar para si cavalos nem poderia fazer o povo voltar para o Egito para multiplicar cavalos (Dt.17:16). Isto nos mostra que jamais um rei em Israel poderia abrir mão da independência do povo nem tampouco permitir que o povo retornasse para a escravidão. O rei deveria ser alguém que mantivesse a independência, a liberdade de Israel. Deveria ser, portanto, um libertador.

 

– Esta liberdade não era apenas política, mas, sobretudo, uma liberdade espiritual. Israel não poderia voltar para o caminho do Egito, ou seja, não poderia aceitar novamente a escravidão e, como ensinam os mestres judeus, um dos pontos culminantes da libertação de Israel foi o pacto firmado com Deus no Sinai, através do qual se tornou um “povo santo”, uma “nação sacerdotal”. O rei jamais poderia permitir que o povo abandonasse a lei e retornasse à escravidão do pecado, à idolatria com a qual havia convivido entre os egípcios.

 

– Não é por outro motivo que Salomão perdeu, apesar da promessa divina para a casa de Davi, dez tribos. Ao se tornar idólatra e permitir que, em Jerusalém, fossem cultuados os deuses dos povos que viviam em volta de Israel, Salomão quebrou este dever real e, por isso, a casa de Davi perdeu o direito de reinar sobre todo o Israel (I Rs.11:1-13). Também foi este o motivo pelo qual Jeroboão foi rejeitado por Deus (I Rs.14:7-16), assim como todas as casas reais que se levantaram no reino do norte, pois todas elas jamais deixaram de praticar o mesmo pecado de Jeroboão (II Rs.17:21-23).

 

– Uma quarta característica que deveria ter o rei era o de não multiplicar mulheres nem dinheiro, a fim de que seu coração não se desviasse (Dt.17:17). Este foi o mal cometido por Salomão, a ponto de a casa de Davi, apesar da promessa eterna que possuía, ter perdido o controle de dez das doze tribos de Israel, ficando apenas com Judá e Benjamim, sendo acrescida, depois, de Levi, que fugiu para o reino do sul ante a constituição de novo sacerdócio por Jeroboão (II Cr.11:14,15). A prostituição e a ganância também foram fatores relevantes na derrocada do reino do norte (Os.7:1-8; Am.4:1; 5:11,12).

 

– O reino do sul, apesar da promessa dada a casa de Davi, também se inseriu neste triste caminho da idolatria, da prostituição e da ganância. Nos dias de Jeremias, o profeta conclamou o povo ao arrependimento por causa desta triste realidade espiritual, mas o povo não lhe deu ouvidos e o resultado foi o cativeiro da Babilônia. O reinado da casa de Davi foi suspenso em virtude destes males (II Rs.24:20; II Cr.36:13-17).

 

– A quinta característica que deveria ter o rei é o da estrita obediência e observância da lei (Dt.17:18-20). O rei deveria escrever uma cópia de toda a lei e tê-la consigo todos os dias, a fim de observá-la, não se desviando nem para a direita, nem para a esquerda. Desta observância, que lhe traria humildade, inclusive diante do povo, dependeria o prolongamento dos dias do seu reino em Israel. Entretanto, não houve um só rei que tivesse cumprido a lei, tendo todos apresentado falhas e imperfeições, até o mesmo o protótipo do rei fiel, que foi Davi, sempre considerado o parâmetro dos demais monarcas, que, por suas falhas e imperfeições, foi, inclusive, impedido de construir o templo (II Sm.7:1-13). Por isso, todos os reis tiveram reinados temporários e as dinastias reais foram extintas, até mesmo a de Davi, que Deus prometera ser eterna, teve suspensão, ante a infidelidade dos monarcas.

 

II – A ESCOLHA DE DAVI E DE SUA DESCENDÊNCIA

 

 

– Neste ponto, a fim de bem compreendermos o ofício de rei de Jesus, torna-se necessário fazer um pequeno estudo a respeito da figura de Davi, pois, como nos diz o título da lição, Jesus é chamado de “Filho de Davi”, precisamente porque sua qualidade de rei se deve ao fato de ser descendente de Davi.

 

– Davi, filho de Jessé, da tribo de Judá, surge na história de Israel quando foi ungido rei pelo profeta Samuel (I Sm.16). Saul, o primeiro rei de Israel, que era da tribo de Benjamim, havia sido rejeitado por Deus, uma vez que, pela segunda vez, desatendera a uma ordem divina, pois havia poupado os animais e até mesmo ao rei dos amalequitas, que Deus havia mandado destruir por boca do profeta Samuel (I Sm.15). Antes, já havia sacrificado, como se sacerdote fosse, não aguardando a Samuel (I Sm.13:8-23).

 

– Deus determinou que Davi fosse ungido, porque era um homem segundo o Seu coração (I Sm.13:14) e que, portanto, guardaria as ordens e mandamentos do Senhor, o que Saul não tinha observado. Vemos, pois, que Davi já surge, antes mesmo de ser conhecido no meio do povo, como alguém que seria segundo o coração de Deus, alguém pronto a Lhe fazer a vontade.

 

– Houve um grande intervalo de tempo entre o momento em que Davi foi ungido rei, ainda em tenra idade, pelo profeta Samuel, na casa de seu pai, até o instante em que assumiu, efetivamente, o trono de Israel. Foram alguns anos, que a Bíblia não precisa, mas que foi um longo tempo, haja vista que o reinado de Saul durou 40 anos (At.13:21) e Davi somente se constituiu rei sobre todo o Israel dois anos depois da morte de Saul, depois da morte de Isbosete, que havia sucedido seu pai (II Sm.2:10).

 

– Chamado para apaziguar o espírito maligno que perturbava Saul (I Sm.16:14-20), depois constituído como pajem de armas do rei(I Sm.16:21), Davi somente se faria conhecido de todo o povo quando venceu o gigante Golias (I Sm.16:48-58), início da sua brilhante carreira militar, que o tornaria genro do rei (I Sm.18:20-30), mas que, também, seria o motivo da perseguição implacável que Saul lhe faria dali para diante. Davi, por causa desta perseguição, acabaria ficando entre os filisteus, sendo, porém, impedido de guerrear contra seu povo. Com a morte de Saul, a tribo de Judá reconheceu Davi como rei (II Sm.2:10), enquanto que as demais tribos constituíram a Isbosete como rei, mas, dois anos depois, com a morte de Isbosete, todos os israelitas reconheceram a Davi como rei, tendo se iniciado um reinado de 40 anos(II Sm.5:4,5), 33 dos quais em Jerusalém, cidade que Davi conquistou e tornou a capital de Israel (II Sm.5:6-9).

 

– Davi tornou-se o parâmetro, o modelo de rei em Israel, em primeiro lugar, porque foi escolhido por um ato deliberado de Deus, sem que o povo tivesse tido qualquer participação. Saul também foi escolhido por Deus, mas diante do pedido do povo que queria um rei. Deus, ao rejeitar Saul, imediatamente quis Se prover de um rei para o povo. Daí porque dizermos que foi um ato da soberana vontade de Deus, do Seu íntimo, um ato exclusivo da vontade do Senhor.

 

– Mas, além disso, Davi também cumpriu com o propósito divino relacionado com a liberdade do povo. Sua primeira iniciativa como rei de todo o Israel foi conquistar Jerusalém, até então ainda na mão dos jebuseus, o único povo que se mantinha intacto na Terra Prometida (Js.15:63). Esta disposição de Davi revela a preocupação primeira de Davi em cumprir os mandamentos, as ordens do Senhor, o que era bem diferente do que ocorrera com seu antecessor.

 

– Enquanto Saul teve de ser lembrado por Deus da necessidade de se extirpar Amaleque do mapa, e não o cumpriu, poupando o seu rei, Davi, sem que nenhum profeta precisasse dizê-lo, foi e conquistou Jerusalém, completando, assim, a determinação divina com relação à retirada dos povos que habitavam Canaã. Ao fazê-lo, inclusive, solucionou um grave problema de Israel, pois Jerusalém, pela sua localização, impedia que houvesse uma unidade territorial entre as tribos de Israel.

 

– Davi, assim fazendo, trouxe a unidade territorial do povo e foi o primeiro a levar Israel para as fronteiras ditas por Deus a Abraão (Gn.13:14,15) e, posteriormente, confirmadas ao povo no deserto (Dt.11:24; Js.1:4), demonstrando, assim, que suas guerras eram animadas pelo propósito de servir ao Senhor e cumprir Seus mandamentos e não pelo desejo puro e simples de poder (II Sm.8:11-15; I Cr.18:3).

 

– Tanto assim é que, antes mesmo de ter esta estabilidade e supremacia política, Davi quis construir um templo a Deus, tendo falado a respeito ao profeta Natã (I Sm.7:2). A propósito, vemos que Davi se cercava de profetas e sacerdotes, enquanto outros reis, ao longo da história de Israel, iriam se levantar contra profetas e sacerdotes, numa clara demonstração de que Davi valorizava e prezava pelos homens escolhidos por Deus para serem seus porta-vozes e ministradores.

 

– Nata, porém, recebeu uma mensagem de Deus a Davi no sentido de que ele não poderia construir o templo, mas que, assim como havia querido construir uma casa ao Senhor, o Senhor é que lhe edificaria uma casa, ou seja, escolhia a descendência de Davi para governar sobre o povo de Israel para sempre. Temos, aqui, então, o que os estudiosos da Bíblia chamam de “pacto davídico”, ou seja, o pacto firmado entre Deus e Davi, segundo o qual o trono de Israel ficaria para sempre na casa de Davi, ou seja, a descendência de Davi seria, eternamente, a descendência real de Israel.

 

– O “pacto davídico” representava mais um passo em direção ao plano de Deus para a humanidade. Deus havia prometido salvar o homem no Éden, prometendo que um descendente da mulher haveria de vencer o mal e o pecado. Depois, com Abraão, mostrou que este Salvador viria de uma nação que seria formada pelo próprio Deus: Israel. Agora, com Davi, diz que este Salvador seria descendente da tribo de Judá, da família de Davi, a quem seria dado o governo de Israel. O Messias seria, portanto, descendente de Davi, “Filho de Davi”, o legítimo herdeiro do trono de Israel.

 

– O Senhor disse a Davi que quem edificaria o templo seria o filho de Davi, que reinaria em seu lugar, dando início a uma dinastia que jamais teria fim. “Porém, a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti, teu trono será firme para sempre.” (II Sm.7:16). O próprio Davi ficou pasmo com a promessa que Deus lhe dava, tanto que considerou a sua insignificância, reconhecendo que o Senhor lhe falava de “tempos distantes” (II Sm.7:19).

 

– Desde então, sabia-se que o Messias, aquele que viria para salvar Israel, seria descendente de Davi, daí porque a imagem do Cristo ter ficado relacionada com a imagem do Libertador político, do Rei, daquele que haveria de livrar Israel dos seus inimigos, imagem esta que se intensificou a partir do cativeiro da Babilônia, quando Israel perdeu a sua independência política, como fruto dos seus pecados, o que era explicitamente reconhecido pelas autoridades judias (cfr. Ed.9:6-9). Até mesmo os discípulos de Jesus, mesmo depois da ressurreição, não tinham deixado de associar a imagem do Messias ao do Libertador político (At.1:6).

 

OBS: “…Surge ele [o Messias, observação nossa] como um mensageiro de Deus — instrumento humano da vontade divina — que, na hora necessária, será enviado por Deus para redimir Israel de seu prolongado martírio de sofrimento, humilhação e opressão. Também se diz que no decorrer do cumprimento de sua missão divinamente indicada, ele se revelará como o maior de todos os Profetas íntegros, da linhagem ilustre que começou com Moisés, no Eito. A missão predeterminada do Messias era definida e clara: o estabelecimento do Reinado de Deus na Terra (não no Céu como o queriam os cristãos), quando a solidariedade, a paz e a justiça introduziriam o eterno Sabath em Israel, e também para o resto da Humanidade, contanto que esta aceitasse a crença do Deus Único e de sua Torah.…” (AUSUBEL, Nathan. Trad. Eva Schechtman Jurkiewicz. Messias. In: A JUDAICA, v.6, p.542).

 

– Em virtude deste pacto e desta promessa que, mesmo após a idolatria de Salomão, Deus poupou a casa de Davi, permitindo que reinasse sobre duas tribos, Judá e Benjamim, acrescido de Levi, após a apostasia determinada por Jeroboão, fazendo com que a nação israelita prosseguisse sendo governada pelos descendentes de Davi. De igual modo, quando o reino de Judá também se fez idólatra e rebelde, o Senhor, ainda que tenha retirado o povo da Terra, em cumprimento à Sua lei (Dt.28:63-68), não permitiu que a casa de Davi fosse destruída.

 

– Com efeito, ao término do cativeiro da Babilônia, vemos que quem liderou o povo de volta foi Sesbazar ou Zorobabel (Ed.1:8; 2:2), legítimo herdeiro do trono de Davi (I Cr.3:19), a quem o Senhor renovou a promessa feita a Davi (Ag.2:21-23).

 

OBS: Muito se discute se Sesbazar ou Zorobabel são, ou não, a mesma pessoa. Os melhores estudiosos, porém, entendem que sejam a mesma pessoa e que Sesbazar seja o nome persa desta personagem.

 

– O Senhor, ao se dirigir a Zorobabel, por boca do profeta Ageu, renovava a promessa feita à casa de Davi. Embora Zorobabel não tivesse se tornado rei, porquanto Israel não adquirira a sua independência política (e não o faria mais, salvo o pequeno intervalo do período dos macabeus), o certo é que Deus não havia Se esquecido de Sua promessa para com a casa de Davi e, por isso, “faria tremer os céus e a terra, derrubaria os tronos dos reinos e destruiria a força dos reinos das nações e faria, naquele dia, do herdeiro do trono um anel de selar, porque o Senhor o havia escolhido”.

 

– Ainda mais se dava ao Messias um papel político, um papel de libertador, pois terminaria com a dominação dos outros povos sobre Israel e se instituiria um poder político que substituiria a todos os demais existentes entre as nações. Nesta profecia, vemos como a figura do descendente de Davi se confundia com aquele que substituiria todos os poderes gentílicos, como visto no sonho de Nabucodonosor interpretado por Daniel (Dn.2).

 

– Percebe-se, ademais, que, mesmo após o cativeiro da Babilônia, é dito que este rei vindo da casa de Davi era para “tempos distantes”, porquanto a profecia de Ageu fala em “naquele dia” (Ag.2:23), a indicar, pois, que não se tratava da pessoa de Zorobabel, mas de sua descendência, a continuidade da descendência real de Davi.

 

OBS: A propósito, dizem alguns historiadores que Zorobabel teria sido substituído no governo da comunidade judaica pós-exílica, em virtude de suas supostas pretensões reais (quiçá aguçadas pelas profecias de Agel), motivo pelo qual teria, inclusive, sido executado por ordem do governo persa em 510 a.C.

 

– Esta descendência, que era honrada e considerada entre os judeus (haja vista que há listas dos chamados “Nasim”, ou seja, os príncipes de Judá, os legítimos herdeiros reais da descendência de Davi), o que se mantinha quando do nascimento do Senhor, o legítimo herdeiro da casa real de Davi.

 

III – JESUS, FILHO DE DAVI

 

– Jesus é chamado de “Filho de Davi”(Mt.1:1; 9:27; 12:23; 15:22; 20:30,31; 21:9,15; Mc.10:47,48; Mc.12:35; Lc.18:38,39; 20:41), por causa de Sua ascendência real, pois é o legítimo herdeiro da dinastia iniciada por Davi e que havia sido destronada com a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor. A partir de então, nenhum mais herdeiro de Davi ocupou o trono de Israel, que passou a ser dominado por estrangeiros (salvo o breve intervalo dos macabeus, no período interbíblico). Jesus, portanto, é o legítimo herdeiro da coroa do reino de Judá e, como está vivo, continua com este direito, direito que será exercido por ocasião do reino milenial.

 

– A primeira pessoa chamada de “filho de Davi” nas Escrituras é Absalão (II Sm.13:1), o terceiro filho de Davi (II Sm.3:3), sendo seguido, imediatamente, no mesmo versículo, por seu meio-irmão Amnom (II Sm.13:1), o primogênito de Davi (II Sm.3:2). Vemos, pois, que a expressão “filho de Davi” está vinculada diretamente à descendência biológica, ou seja, é uma expressão que denota que Jesus é “filho de Davi” porque Se humanizou, tomou a descendência de Davi segundo a carne (Rm.1:3).

 

– Confirmando isto, vemos que a terceira pessoa chamada de “filho de Davi” é Salomão, o sucessor de Davi (I Cr.29:22; II Cr.1:1; II Cr.13:6; 30:26; 35:3; Pv.1:1; Ec.1:1), cujas múltiplas referências como “filho de Davi” servem de memorial para o “pacto davídico”, em que se prometeu que Salomão construiria o templo e que, inclusive, não se perderia como tinha ocorrido com Saul (II Sm.7:13-15). Assim, entendemos que o fato de Salomão, como ninguém, ser chamado de “filho de Davi” é sempre uma alusão das Escrituras ao pacto davídico.

 

OBS: Também foi chamado de “filho de Davi”, Jerimote, sogro de Roboão – II Cr.11:18.

 

– A seguir, é chamado de “filho de Davi”, José, pai social de Jesus (Mt.1:20), a demonstrar, pois, claramente, que, segundo o direito, Jesus era o descendente real do trono de Davi, o herdeiro presuntivo da coroa de Israel.

 

– A Bíblia, já nas profecias do Antigo Testamento, afirmava que o Messias seria descendente de Davi, a raiz de Jessé (Is.11:1,10). Por isso, os judeus, até hoje, aguardam seu Messias como um nobre e pessoa de alta posição, tendo sido, aliás, este um dos motivos pelos quais Jesus não foi reconhecido como rei pelo Seu povo, embora tenha sido esta a acusação pela qual O levaram à cruz (Mt.27:37), o que serviu, inclusive, de testemunho de Sua condição real.

 

– A acusação que fizeram a Jesus e que, inclusive, constou da cruz, é a principal demonstração de que Jesus Se comportou, durante o Seu ministério, como rei, como Aquele que tinha de cumprir os propósitos estabelecidos por Deus para o rei em Israel.

 

– Indagado por Pilatos se era rei, Jesus lhe respondeu, dizendo: “…Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo.18:37). O testemunho da realeza de Jesus foi posto na boca do representante de César na Palestina, de Pôncio Pilatos, para que não houvesse qualquer dúvida de que Jesus, realmente, é rei.

 

– Ao nascer, Jesus também foi reconhecido como rei. Os magos do Oriente viram a estrela no céu e chegaram à conclusão de que o rei dos judeus havia nascido (Mt.2:1), tendo, então, viajado até Jerusalém a fim de adorá-lO. Este episódio, aliás, é narrado tão somente por Mateus, cujo livro tem por objetivo mostrar aos judeus que Jesus é o Messias, o Rei, descendente de Davi, que devia vir ao mundo (Mt.1:1).

 

– Jesus disse que havia vindo ao mundo para ser Rei e o rei, conforme vimos supra, tinha, por primeiro, que ser escolhido por Deus. Ora, como já vimos, o fato de Jesus ter nascido da descendência de Davi era a prova de que havia sido escolhido por Deus, há séculos, para ser o Messias. É interessante observar que, ao contrário de todos os demais reis que haviam descendido de Davi, Jesus foi o único a nascer na cidade de Davi, ou seja, Belém (Mt.2:1), cumprindo-se, assim, a profecia de Miquéias, a respeito (Mq.5:2), a confirmar, assim, que ali estava o descendente de Davi por excelência, Aquele que havia sido prometido a Davi para “tempos distantes”.

 

– Mas, para ser rei, havia necessidade de, além de ser escolhido por Deus, ser natural de Israel, ser tomado dentre os israelitas, ser “um dentre seus irmãos”, para se utilizar a linguagem de Moisés. Ora, Jesus tomou a descendência de Davi segundo a carne (Rm.1:3), exatamente para Se tornar um dentre os irmãos de Israel (Hb.2:10-18).

 

– Ao Se tornar irmão dos israelitas, tomando a descendência de Davi segundo a carne, vemos que Jesus Se apresentou como um verdadeiro rei, um rei que não se dissocia do seu povo, mas um rei que sentia compaixão pelos seus. Ser irmão significava sentir o que o povo sentia, ou seja, ter compaixão do povo, com ele se identificando. Esta foi uma das principais características de Jesus em Seu ministério (Mt.9:27,36; 14:14; 15:32; 20:34; Mc.1:41; 6:34; 8:2; Lc.7:13).

 

– A propósito, foi um certo distanciamento que houve entre o povo e Davi que permitiu a brecha para que Absalão iniciasse a sua rebelião, que custou a Davi a perda, ainda que temporária, do trono (II Sm.15:2-4).

 

– Mas, exigia-se também do rei que não permitisse que o povo retornasse ao Egito e multiplicasse seus cavalos (Dt.17:16), ou seja, o rei deveria ser um libertador, alguém que mantivesse a liberdade conquistada pelo povo de Israel, liberdade não só política, mas, sobretudo, espiritual. Neste ponto, Jesus veio cumprir integralmente o papel do rei, pois veio libertar o povo daquilo que o oprimia, como a todo ser humano, do pecado.

 

– Ao ser interpelado pelo povo, Jesus mostrou que havia vindo para libertá-los do pecado, pois quem pratica o pecado é seu escravo (Jo.8:31-36). A principal libertação de que carecia Israel era a libertação do pecado. Enquanto Israel não se libertasse do pecado e passasse a obedecer a Deus de todo o seu coração, não conquistaria a sua liberdade política tão almejada. Isto tem sido uma realidade constante no meio do povo judeu e, mesmo após a restauração do Estado de Israel, em 1948, vemos, no tabuleiro da política internacional, que a manutenção da existência de Israel como nação independente depende do apoio que recebe dos Estados Unidos da América, sendo, pois, uma independência precária e mantida a duras penas, como nos mostram os conflitos no Oriente Médio.

 

– Não há liberdade sem que haja paz e a libertação prometida por Jesus era a libertação que concederia paz, o descanso com que Deus havia aquinhoado Israel após as conquistas obtidas por Davi e que perdurou até o final do reinado de Salomão (II Sm.7:1; I Rs.5:4). Jesus traz paz a cada ser humano (Rm.5:1) e esta paz interior se transforma em uma paz social, em uma nação de paz.

 

– Os judeus pensavam que o Messias viria, de imediato, como um Libertador político, como alguém que os retiraria da dominação estrangeira, mas Jesus veio para tratar da libertação integral, libertação esta que se inicia pela libertação do pecado, pelo fim da dominação do mal sobre a criatura humana. Por isso, Jesus veio estabelecer o reino de Deus entre os homens (Mt.12:28; Mc.1:15; Lc.10:9,10; 17:21).

 

– Este reino de Deus não vem com aparência exterior (Lc.17:20), pois é um reino que não é deste mundo (Jo.18:36), mas um reino que, por fim se estabelecerá sobre a Terra. A prova de que este reino, mesmo não sendo deste mundo, está entre nós, como já estava entre os judeus, era o fato de que os espíritos malignos eram sujeitos a Jesus, a comprovar, pois, que o pecado e a morte não teriam domínio sobre este reino, reino formado pelos que venceram o pecado e o mal (Mt.12:28; Lc.11:20).

 

– Assim como Davi não se apresentou como rei para Israel senão anos depois de sua unção pelo profeta Samuel, também Jesus não Se apresentou como rei para o Seu povo imediatamente, quando de Seu ministério terreno. Pelo contrário, quando Israel estiver para ser destruído totalmente pelo Anticristo, na batalha do Armagedom, aí o Senhor Jesus Se apresentará para os judeus como o Rei que é, em glória e majestade, sendo, então reconhecido como tal (Zc.12:1-13:6). Israel se libertará, então, do pecado, pois crerá em Jesus e, só então, poderá ter o Libertador político que tanto aguarda.

 

– Ao contrário do que dizem os judeus, Jesus veio, sim, na Terra, como rei, mas foi rejeitado pelo Seu povo. Ao trazer a mensagem de libertação espiritual antes da libertação política, como era de mister, não foi compreendido pelos judeus, que ansiavam por uma mera libertação política do jugo romano. Mas Jesus, ao contrário dos reis anteriores, viera para cumprir o que se esperava da figura do rei em Israel.

 

– Por isso, além de trazer a verdadeira libertação, Jesus, também, como se esperava do rei em Israel, não se deu nem à prostituição, nem tampouco ao amor às riquezas. Muito pelo contrário, procurado no palácio em Jerusalém, pelos magos, foi achado em uma simples casa em Belém. Não amealhara patrimônio para Si, mas, conforme Ele mesmo disse, não tinha sequer onde reclinar Sua cabeça (Mt.8:20; Lc.9:58). Sendo rico, por amor a nós, fez-Se pobre (II Co.8:9) e fez questão de ensinar que “…a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” (Lc.12:15 “in fine”).

 

– Durante o Seu ministério terreno, fez questão de chamar o povo para uma vida moral ilibada, sem mesmo os maus costumes que já se haviam disseminado no meio do povo, reprovando a imoralidade então existente, a ponto de recuperar a estrutura primitiva do casamento, criticando o repúdio e a hipocrisia então reinantes entre os judeus (Mt.5:27-32; 19:1-12).

 

OBS: Hoje em dia, o que estamos a ver, estarrecidos, são supostos crentes defendendo a poligamia e toda a sorte de perversões, como as uniões homossexuais. Acautelemo-nos com estes falsos mestres e profetas que se introduzem no meio do povo de Deus!

 

– Por ser rei e Aquele que não haveria de ter qualquer descendente ou sucessor, pois Seu reino seria eterno, Jesus não formou família, nem poderia formá-la, o que explica porque não Se casou. Todas as afirmações em sentido contrário são fruto de uma total ignorância a respeito do ministério de Jesus como Rei e devem ser totalmente descartadas.

 

OBS: Doutrinas como a do Reverendo Moon ou aquelas que foram revigoradas com o livro O Código Da Vinci nada mais são que ardilosas tentativas satânicas de nos procurar descrer nos ofícios crísticos de Jesus. Tomemos muito cuidado!

 

– Mas o rei, diz-nos o texto sagrado, deveria, também, ser um observador da lei, devendo ter uma cópia dela junto a si, a fim de que, em todos os dias de sua vida, pudesse cumpri-la, dela não se desviando nem para a direita, nem para a esquerda (Dt.17:18-20).

 

– Ora, neste ponto, ninguém foi mais Rei do que o próprio Jesus, que cumpriu toda a lei (Mt.5:17). Tanto isto é verdade que a única acusação que lhe puderam impingir foi a de ser o rei dos judeus, título que somente poderia ter obtido, em toda a sua plenitude, porque havia cumprido toda a lei, sendo, como o era, da descendência de Davi. Não houve qualquer mandamento que tenha deixado de ser observado pelo Senhor Jesus, que cumpriu tudo quanto dEle estava escrito (Lc.24:44).

 

– Na Sua própria morte, Jesus cumpria a vontade do Pai e, como era dever do rei tudo cumprir, teve, ainda que neste momento tão difícil, reconhecida a Sua realeza, em todas as línguas oficiais (Jo.19:20). Por ser o único a cumprir integralmente a lei, Jesus fazia por merecer Seu reconhecimento como Rei dos judeus e, mais do que isto, que Seu reino não tivesse fim, fosse eterno (II Sm.7:16; I Cr.17:14).

 

– Os descendentes de Davi haviam sido falhos, não haviam cumprido com os seus deveres e, por isso, haviam sido apeados do trono, mas a promessa de Deus tinha de ser cumprida e, por isso, Jesus veio ao mundo, como Rei, para tudo cumprir e firmar o trono de Davi para sempre. Como venceu o pecado, o primeiro e principal inimigo, teria condições para viver eternamente e, assim, no momento propício, aparecer a Israel como Rei, para Se assentar no trono para todo o sempre (Mt.19:28; Lc.22:29,30).

 

– Jesus, além do mais, valeu-Se da Sua condição de rei para mostrar a Sua dupla natureza. Com efeito, como vemos em Mt.22:41-46, Mc.12:35-37 e Lc.20:41-47, Jesus, certa feita, interrogou os fariseus a respeito do Cristo, pois, sendo Ele o Filho de Davi, como, então, Davi O chamava Senhor no Salmo 110. A esta pergunta de Jesus, os fariseus não responderam, porque não tinham o necessário discernimento espiritual para compreender que Jesus era, a um só tempo, “Filho de Davi”, ou seja, descendente de Davi segundo a carne, mas, também, era Deus, o Senhor, o Verbo Divino que nunca teve princípio nem terá fim. Reside aqui a grande incompreensão dos judeus a respeito de Jesus e o motivo pelo qual não admitem eles nem que Jesus seja Filho de Davi, nem tampouco que seja uma Pessoa Divina. Tal compreensão é possível somente mediante a posse da mente de Cristo (I Co.2:11-16), tanto que foi um dos pontos tratados por Pedro em seu sermão no dia de Pentecoste (At.2:29-36).

 

OBS: A objeção do pensamento judaico, que registramos supra, segundo a qual Jesus não poderia ser o Messias precisamente porque veio com uma mensagem de trazer um reino ao céu e não na Terra se desfaz completamente, quando vemos que Jesus, pela Sua dupla natureza, quer, em verdade, reunir em si tanto céus quanto terra (Ef.1:10).

 

– A Bíblia diz que Jesus é Rei, não só rei dos judeus (Mt.2:2; 27:11; Lc.23:3; Jo.1:49), mas também Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap.19:16), tema que estudaremos ao término deste trimestre. O principado está sobre os Seus ombros, ou seja, o governo do mundo Lhe foi destinado (Is.9:6) e, como Rei, governará o mundo com paz e justiça (Is.11). Enquanto na Terra, Jesus disse que Seu reino não era deste mundo (Jo.18:36), mas dias virão em que o reino será restabelecido em Israel (At.1:6,7) e, de Israel, Jesus reinará sobre todo o mundo por mil anos (Ap.20:1-6). Enquanto na Terra, Jesus não deixou que o fizessem rei (Jo.6:15), embora assim tenha sido aclamado quando entrou em Jerusalém pela vez derradeira (Jo.12:13).

 

– Mas, já neste tempo em que vivemos, o Senhor Jesus é o Rei da Igreja, pois governa a Igreja, de que é cabeça (Ef.1:22; 5:23). Todo o poder Lhe foi dado nos céus e na terra (Mt.28:18) e todos quantos nasceram de novo por terem crido nEle passam a ver e a entrar no reino de Deus (Jo.3:3-5). Por isso, não mais vivemos, mas é Cristo que vive em nós (Gl.2:20). Por isso, seguimos firmemente a lei de Cristo (I Co.9:21; Gl.6:2). Ora, se há uma lei de Cristo, é porque Ele legisla, Ele governa, ou seja, Ele é Rei!

 

– A dignidade real de Cristo foi transmitida à Igreja, cujo sacerdócio é real (I Pe.2:9; Ap.1:6; 5:10), tanto que reinaremos com Ele no milênio (Ap.20:4). Tal dignidade, porém, advém não do fato de sermos melhores do que os outros, mas de nossa obediência ao Senhor, de nossa submissão a Ele. Nunca nos esqueçamos de que somos os ramos, mas Ele é a videira verdadeira. Portanto, sem qualquer respaldo bíblico, os falsos ensinos que procuram nos convencer que, como somos “filhos do rei” ou “filhos do dono do mundo”, podemos, como quaisquer “filhinhos de papai” das elites (notadamente dos países subdesenvolvidos), ter uma vida desregrada e desregulada, tudo podendo fazer porque o “nosso Rei nos garante”, “somos filhos do rei”. Lembremo-nos todos de que nossa dignidade real requer de nós submissão e observância da lei de Cristo, obediência e não privilégios.

 

– Se, assim como o reino foi destinado a Cristo, Ele no-lo destinou (Lc.22:29,30), torna-se imperioso que, assim como Jesus, também procedamos como um rei, ou seja: escolhido por Deus, um dentre os irmãos, liberto e libertador do pecado, que repudia a prostituição e o amor ao dinheiro, que cumpre e observa a Palavra de Deus. Somos, efetivamente, reis e sacerdotes (cfr. Ap.1:6) ?

Sobre Andre Magalhaes

Meu Senhor é Jesus
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12 respostas para Jesus, Filho de Davi

  1. luiz carlos disse:

    excelente, com muito conteúdo e também com base bíblica, que Deus possa recompensá-los grandemente!

  2. roseli disse:

    Muito bom!
    com explicações bem claras, dá pra se entender muito em tão pouco texto da bíblia.

  3. Terezinha Elizabete disse:

    Excelente !!! e que clareza!!! quanto conhecimento para todos que têm oportunidade de conhecer o texto.
    Graça e paz de Cristo.

  4. oseas monteiro disse:

    gostei muito gostaria que me mandasse mais estudos.

  5. adalberto de oliveira rosa disse:

    gostei filho ! achei muito interessante a resposta a cerca JESUS ser chamado de filho de davi

  6. Júlio Donga disse:

    Graça e Paz, muito explicativo e objectivo, com uma explanação tanto histórica como teológica…..!

  7. Vinícius Pereira disse:

    Excelente! Estão de parabéns! Glória a Deus!

  8. Rogério disse:

    Estou aqui pois precisava dessa palavra, foi edficante para minha vida e ministração.

  9. juscelino silva disse:

    muito reflexivo.

  10. PR. ROBERTO disse:

    QUANTA RIQUEZA DE DETALHES. QUE NOS FAZ TOMAR UMA POSIÇÃO IMPORTANTE NO REINO DE DEUS. AS DE REIS E SACERDOTES! QUE O NOSSO DEUS ENRIQUEÇA A SUA MENTE PARA QUE POSSA TRAZER A LUZ RESPOSTAS QUE CAUSAM. GRAÇA E PAZ AMADO DE ISRAEL!

  11. joanirgomes@yahoo.com.br disse:

    Gente! que matéria ótima para estudo! Parabéns!

  12. Zenaide Marques disse:

    Texto maravilhoso.Parabens Pastor.

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