JESUS VERDADEIRO HOMEM, VERDADEIRO DEUS


INTRODUÇÃO

– Nas duas primeiras lições, tivemos a oportunidade de estudar a divindade de Jesus Cristo, seja como o Verbo de Deus, seja como o Filho de Deus. Hoje, analisaremos a Sua humanidade, bem como a Sua dupla natureza.

– É fundamental compreendermos que a Bíblia nos ensina que Jesus, sendo o Deus Filho, ou seja, uma das três Pessoas divinas, fez-Se homem, em tudo semelhante a nós, mas que jamais pecou e que, ao vir a esta terra, pôde cumprir a lei e satisfazer a justiça divina, morrendo por nós e, assim, pagando o preço necessário para a nossa salvação. A distorção sobre a real natureza de Jesus nesta obra tem sido, há séculos, uma das principais armas do inimigo para levar os homens para a perdição eterna.

I – JESUS É HOMEM

– Além de dizer que Jesus é Deus, a Bíblia também nos ensina que, num determinado instante histórico, que as Escrituras denominam de “plenitude dos tempos” (Gl.4:4), “o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo.1:14a). Jesus Se tornou homem, a fim de cumprir a promessa divina feita ao primeiro casal de que “da semente da mulher” nasceria um que esmagaria a cabeça da serpente (Gn.3:15).

– Esta afirmação divina no Éden é suficiente para nos demonstrar que Jesus realmente Se humanizou, tornou-se um homem, um descendente do primeiro casal, “a semente da mulher”, para que pudesse, enquanto homem, vencer o mal e o pecado e, sem qualquer dívida diante de Deus, por Sua santidade, morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça de Deus, proporcionando a nossa redenção e a possibilidade de termos os pecados perdoados.

– Dizer que Jesus não Se humanizou, que era, na verdade, um “ser especial”, um “espírito evoluído”, que habitou entre os homens, como alguns teimam em afirmar e com cada vez maior número de adeptos na atualidade, é o mesmo que dizer que Deus é mentiroso, que Deus não é fiel e que não cumpriu com a Sua promessa. Jesus Se fez homem, era absolutamente necessário que fosse um homem, para que se tornasse possível a vitória sobre o pecado e o mal. Por isso, aliás, o apóstolo João afirmou que “quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu” (I Jo.5:10).

– Se Jesus Se humanizou, temos, em primeiro lugar que, enquanto homem, Jesus teve um princípio de existência. Enquanto Deus, Jesus não tem princípio nem fim (Ap.1:8), mas, enquanto homem, Ele teve um início de existência, foi concebido por obra e graça do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc.1:31-35). Como todo e qualquer ser humano, Jesus foi concebido no ventre de Sua mãe, teve o início de uma existência.

– Entretanto, Jesus não poderia ser concebido como o foram os demais seres humanos a partir do primeiro casal, porque, em virtude do pecado, os homens passaram a ser concebidos em pecado (Sl.51:5), ou seja, herdavam a natureza pecaminosa de seus pais, tanto que, em vez de saírem à imagem e semelhança de Deus, como havia sido o primeiro casal, saíam à imagem e semelhança de seus pais (Gn.5:3). Por isso, Jesus não poderia ser fruto de uma concepção resultante da relação sexual entre seus pais biológicos, visto que não poderia ser senão a “semente da mulher”, o “último Adão”(I Co.15:45), e, portanto, a exemplo do primeiro casal, criado por ação direta de Deus, sem mediação humana.

– É por este motivo que, ao longo da revelação progressiva de Deus, por meio da Sua Palavra, o Senhor foi anunciando ao Seu povo que o Salvador, o Messias, chamado de “semente da mulher”, seria alguém que seria o resultado da “concepção de uma virgem” (Is.7:14) e que a criança nascida, ao contrário de todas as demais, ao adquirir a consciência não se inclinaria para o mal, mas, sim, para o bem (Is.7:15,16).

– Tudo isto que fora profetizado cerca de setecentos anos antes do evento histórico acontecer. Maria concebeu, sem que conhecesse varão, e deu à luz ao seu filho primogênito, que foi chamado de Jesus por ordem divina. Jesus Se fez carne e habitou entre nós, sendo fruto da concepção de uma virgem. Observemos bem que Jesus foi concebido em uma virgem, mas Sua mãe não ficou virgem para sempre. A virgindade de Maria cessou com o nascimento de Jesus, assim como também a sua abstinência sexual em relação a seu marido, José. A Bíblia diz que José não a conheceu até que Jesus nasceu (Mt.1:25), sendo certo, também, que José e Maria tiveram filhos, como o dizem os moradores de Nazaré, a cidade onde Jesus foi criado (Mt.13:55; Mc.6:3).

– Vemos, portanto, que a concepção virginal de Jesus era uma necessidade para que pudesse se realizar o plano da salvação. Jesus haveria de nascer com a mesma natureza perfeita com que fora criado o primeiro casal, a fim de que pudesse vencer a morte e o inferno. Sua concepção virginal, aliás, era também necessária para que Ele Se mantivesse Filho de Deus (Lc.1:35), embora Se tenha feito carne, assim como para que fosse “semente da mulher” e “nascido de mulher”. Daí porque Eva ter sido chamada “mãe de todos os viventes” (Gn.3:20), enquanto que, em momento algum, Adão é chamado de “pai de todos os viventes”, pois Jesus não descendeu de Adão, mas gerado foi por obra e graça do Espírito Santo.

– Negar, portanto, a concepção virginal de Jesus é negar a Sua condição de Salvador, é procurar desacreditar a Sua missão de salvação do homem. Jesus veio para libertar o povo do pecado e, por isso, não poderia ser formado em pecado. Humanizou-Se, sim, porque foi gerado, teve início de existência, foi dotado de um corpo animal, terreno, corruptível (I Co.15:42,44,47; Hb.10:5), teve Seus dias de carne (Hb.5:7), mas tinha de vir sem a natureza pecaminosa, a fim de poder redimir a humanidade.

– É interessante observar, portanto, que a vinda de Jesus por obra e graça do Espírito Santo, em momento algum, pode ser usada como argumento para negar a Sua humanidade, porquanto Sua concepção virginal teve o propósito de fazê-lO entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado. A concepção virginal não faz de Jesus um super-homem, mas O faz um homem genuíno, formado conforme o propósito divino, um “segundo Adão”, sem o que não haveria como garantir a salvação de toda a humanidade.

– Vemos, a propósito, que só Jesus foi assim gerado, como nos mostram as Escrituras. É Ele o “último Adão”, o único que, além de Adão, foi gerado diretamente por ação divina. Todos os demais seres humanos foram gerados de um ser prévio, até mesmo Eva, que foi retirada de Adão (Gn.2:21,22). Por isso, não tem o menor cabimento a doutrina da “imaculada conceição de Maria”, transformada em dogma da Igreja Romana em 1854 pelo Papa Pio IX, segundo a qual Maria também teria sido concebida sem pecado, equiparando Maria ao próprio Jesus, um ensino totalmente equivocado e que se constitui em mais uma artimanha do inimigo para denegrir e distorcer a figura de Jesus Cristo.

– A concepção virginal de Jesus mostra, também, o propósito de salvação na vida do Senhor. Foi Ele gerado por obra e graça do Espírito Santo para que Se tornasse o Sumo Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque (Hb.8:1,2) e, por isso, Se oferecesse, uma vez por todas, em sacrifício pelos pecados do mundo (Hb.9:28), sendo, pois, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), a propiciação pelos pecados de todo o mundo (I Jo.2:2). Por isso, também sentido algum tem a doutrina alardeada pelo Reverendo Moon de que Jesus “fracassou” em Seu ministério por não ter formado família, visto que Seu objetivo ao vir ao mundo, como bem o demonstra Sua concepção virginal, não foi o de formar descendência, mas, sim, o de Se oferecer como vítima para a remissão de toda a humanidade.

– Daí porque também não ter qualquer sentido ou respaldo bíblico a afirmação de que Jesus constituiu família e que, inclusive, Seus supostos descendentes pertenceram à linhagem real de uma dinastia francesa medieval, idéia que foi muito bem explorada pelo escritor Dan Brown, no livro “Código Da Vinci”, um dos campeões de venda dos últimos anos em todo o mundo e que demonstra como está operando o mistério da injustiça nestes dias que antecedem a volta de Cristo (II Ts.2:7), um ímpeto para fazer o mundo descrer na dupla natureza de Jesus, pois sua função é enganar os que perecem (II Ts.2:10,11).

– Neste ponto é importante mostrar que Jesus, além de Se humanizar, foi um varão, ou seja, um homem do sexo masculino. Nos dias difíceis em que estamos a viver, há muitos que querem negar esta circunstância, considerando-a como um “preconceito machista”, a tal ponto que já se chegou ao cúmulo de se ter uma tradução da Bíblia “livre de sexismo”, a chamada “Bíblia politicamente correta” ou “Bíblia numa linguagem mais justa”, onde sempre que os homens são citados, foram incluídas as mulheres, como se isto fosse o correto. Jesus foi um varão, porque isto era necessário a fim de que fosse o “último Adão”, Adão que era varão. Isto, em absoluto, significa uma diminuição da mulher em relação ao homem, mas o fato é que a mulher veio do varão e este varão veio ao mundo porque uma mulher deu à luz, numa clara demonstração de que Jesus é o Salvador de toda a humanidade.

– A circunstância de que Jesus tinha uma missão espiritual e que, para tanto, veio ao mundo, explica, também, porque não só o Senhor não formou família, como também não teve qualquer envolvimento sexual com quem quer que seja. Não negamos que, como Jesus em tudo foi tentado, indubitavelmente foi alvo de tentações no que respeita à moral sexual, mas não era esta a vontade de Deus, motivo pelo qual se manteve alheio a este aspecto da vida. Não que a sexualidade seja um mal, longe disso, mas Jesus não fora chamado por Deus para isto. Destarte, completamente abominável e demoníaca a tentativa de construção da figura de um Jesus devasso, libertino e, pasmem todos, até homossexual, como tem sido propalado e divulgado pela mídia nos últimos anos, a demonstrar o grau de intensidade do espírito do anticristo na atualidade.

OBS: É incrível a intensidade com que se avilta a figura do Senhor Jesus na atualidade. Não bastasse, na década de 1980, o filme de Martin Scorsese, a “Última Tentação de Cristo” em que se insinua que o Senhor, na cruz, estivesse absorto por pensamentos imorais e lascivos, recentemente foi feita uma mostra de imagens pornográficas na Espanha, em setembro de 2007, do artista holandês Ivo Hendricks, em que Jesus aparece em cena de sodomia, sem falar na peça teatral “Corpus Christi” de Terrence McNally, onde Jesus é apresentado mantendo relações homossexuais com Seus discípulos, que se pretende transformar em filme. Todos estes ataques, paradoxalmente, demonstram que Jesus é homem e é Deus, pois, se assim não fosse, não estaria o espírito do anticristo preocupado em denegrir a Sua imagem, pois é próprio dele levantar-se contra tudo o que se chama Deus (I Ts.2:4). Este é mais um sinal de que Jesus está às portas! Vigiemos, pois!

II – A HUMANIDADE DE JESUS NÃO EXCLUIU A SUA DIVINDADE

Colaboração/Gráfico: Jair César

– Enquanto homem, Jesus teve todo o desenvolvimento que qualquer ser humano tem. Enquanto criança teve uma alimentação simples, própria daqueles que são de parcos recursos (Is.7:15), passou pela fase da inocência e, ao adquirir a consciência, demonstrou a única diferença que teve em relação a todos os demais homens: não tinha a natureza pecaminosa. A exemplo de Adão e de Eva, fora criado sem a natureza pecaminosa, mantendo-se assim até a morte (Hb.4:15; 9:28). Por isso, Jesus não foi igual ou idêntico aos demais homens, mas, como dizem as Escrituras, semelhante a nós, visto que havia um dado que os distinguiu de todos os demais homens: a ausência de pecado (Hb.2:17) (recomendamos leitura nosso artigo na seção Estudos Bíblicos do Portal Escola Dominical: Jesus, gente como a gente, mas sem pecado).

– Enquanto homem, Jesus Se submeteu a todas as limitações humanas, sem exceção alguma. A este fenômeno, segundo o qual Jesus, que é Deus, não Se utilizou de nenhuma das prerrogativas da divindade enquanto desempenhou o Seu ministério terreno (nem poderia fazê-lo, pois Deus havia prometido que um homem haveria de alcançar a vitória sobre o pecado e sobre a morte), os estudiosos da Bíblia denominam de “kenosis” ou “esvaziamento”. Jesus não deixou de ser Deus quando Se tornou homem, mas, por livre e espontânea vontade, para cumprimento da vontade do Pai (Hb.10:5-9), veio a este mundo, despindo-Se da Sua glória (Fp.2:5-8), cumprindo a lei (Mt.5:17), fez-Se oferta e sacrifício ao Pai para a salvação dos pecadores (Is.53:4-9).

OBS: “…Ele [Cristo, observação nossa] se aniquilou, isto é, foi reduzido em seus atributos, sujeitando-se ao corpo humano. Isto não quer dizer que perdeu ou desvencilhou totalmente da sua divindade, mas precisou sujeitar-se ao corpo humano e, portanto, ficou sujeito a certas limitações pelas quais passam os homens. Mas, quando ressuscitou e adquiriu corpo glorioso, voltou a possuir plenamente todos os atributos, como o Pai….” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.1, p.23).

– “…na idéia de kenosis está a noção de ter o Filho de Deus assumido a forma de homem, conforme esse texto de Filipenses [Fp.2:8, observação nossa] diz claramente. O Logos, ou Verbo celeste, desistiu de aferrar-se ao que possuía, quando de Seu esvaziamento, em uma atitude contrária à de Adão, que procurou obter algo que ele não tinha (o conhecimento do bem e do mal). Ver Ii Co.8:9. O termo kenosis, portanto, deve ser aplicado à idéia de autolimitação do Logos (o Filho de Deus) quando de Sua encarnação…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Kenosis. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.698).

– “…Naturalmente, a frase esvaziou-se a si mesmo pode sugerir, para aquelas mentes que assim exigem, a noção de que desvestiu-Se de todos os Seus atributos divinos. Os eruditos devotos não podem aceitar essa concepção e eles evidentemente não somente têm o apoio do contexto imediato, mas de toda a Escritura. Um grupo exagerou nas limitações humanas de Cristo, enquanto, por outro lado, outro grupo – totalmente atento quanto a estas limitações – vê também a ênfase que a Palavra de Deus atribui às manifestações da Sua divindade.(…). Tanto a condescendência de Cristo – a partir da Sua esfera nativa celestial para a posição de homem – quanto a humilhação de Cristo – da Sua posição como um homem para a morte de cruz – são indicadas nessa passagem. A questão da kenosis não está muito preocupada com a humilhação de Cristo como com Sua condescendência. A pergunta é esta: ‘Quanto Ele renunciou?’…” (CHAFER, Lewis Sperry. Teologia sistemática. Trad. Heber Carlos de Campos. t.I, pp.382-3)

– Jesus não poderia deixar de ser o que é, pois, como Deus, como vimos nas lições anteriores, é eterno, não muda, nem deixa de ser algo. Jesus é Deus e sempre o será. Quando chegou a plenitude dos tempos, continuou sendo Deus, pois Deus não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13). Assim, precisamos ter cuidado, pois muitos, inadvertidamente, acham que quando Jesus Se humanizou, deixou de ser Deus. Isto é absolutamente impossível! Deus é e nunca deixará de ser! Quando Se encarnou, porém, Jesus deixou a “forma de Deus” (Fp.2:6), assumindo a “forma de servo” (Fp.2:7) e, mesmo na forma de servo, prosseguiu na Sua humilhação, assumindo a condição de maldito ao morrer na cruz (Fp.2:8).

– Jesus nunca deixou de ser Deus e passou, na plenitude dos tempos, a também ser homem. Por isso, diz o apóstolo João, que o “Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo.1:14).

– Nesta feliz expressão do apóstolo, vemos que Jesus não deixou de ser Deus ao Se humanizar. Com efeito, continuou a ser o Verbo, mas também passou a ser homem, pois “Se fez carne e habitou entre nós”. Por ter encarnado e assumido as limitações do tempo e do espaço, como qualquer criatura (Gn.1:1), Jesus demonstra toda a Sua humanidade. Mas, apesar de ser homem, continuava a ser Deus, tanto que possuía a glória, algo que é exclusivo de Deus (Is.48:11 “in fine”). O apóstolo, aliás, faz questão de ressaltar que a glória vista em Jesus não era uma glória qualquer, mas a glória divina, a glória do Unigênito do Pai.

– Além disso, João disse que Jesus, mesmo humanizado, não deixou de ser Deus, porque era “cheio de graça e verdade”. Somente Deus é cheio de graça e de verdade, pois, por primeiro, a graça é o favor imerecido que Deus dá aos homens, é um dom divino, algo que não é próprio dos homens (Ef.2:8). A graça é divina e, entre nós, foi algo exclusivo da pessoa de Jesus Cristo (Rm.5:15). Por segundo, a verdade é o próprio Deus (Jr.10:10) e só Jesus, entre nós, é a verdade (Jo.14:6). Por isso, enquanto “Deus conosco”, Jesus trouxe, para os homens, tanto a graça quanto a verdade (Jo.1:17).

OBS: Por isso, não se pode admitir que Maria seja considerada “cheia de graça”, como se verifica na famosa oração “Ave Maria”. Muito pelo contrário, a Bíblia nos mostra que, como qualquer ser humano, Maria foi agraciada, ou seja, alvo da graça de Deus (Lc.1:28).

– A Bíblia é maravilhosa. Nos mínimos pormenores, ela demonstra toda a verdade espiritual revelada ao homem. Quem nos esclarece a respeito desta natureza divina de Cristo, que persiste na Sua humanização, é nada mais, nada menos que o apóstolo mais íntimo do Senhor, aquele que deitava seu rosto no peito de Cristo (Jo.13:23). João é mencionado como “o discípulo a quem Jesus amava” e, por causa deste amor intenso, foi o que mais evidenciou a natureza dupla de Jesus, pois os amigos do Senhor são aqueles a quem tudo é revelado (Jo.15:15).

– Mas não foi apenas João quem nos dá notícia da manutenção da natureza divina no Jesus humanizado. Pedro, outro dos discípulos que pertenciam ao círculo íntimo do Senhor, também é testemunha (II Pe.1:16-18). A propósito, a transfiguração de Jesus é uma demonstração cabal de que Sua deidade não foi extirpada quando de Sua humanização.

– Se Jesus não deixou de ser Deus quando Se humanizou, nem por isso, porém, fez uso dos atributos da Divindade enquanto no Seu ministério público. Aliás, “ministério” significa “serviço” e, como vimos, no exercício deste ministério, Jesus assumiu a “forma de servo”, o Servo Sofredor de que tanto falou o profeta Isaías em seu livro que, por causa disto, é chamado por muito de “o Evangelho do Antigo Testamento” (v.g., Is.42:1,19; 43:10; 50:10; 53:11).

– Tudo quanto Jesus fez, no Seu ministério público, foi em virtude da unção do Espírito Santo sobre Ele (At.10:38). Esta unção do Espírito sobre Ele se deu quando Ele foi batizado por João no Jordão, algo que foi atestado pelo próprio João que viu o Espírito descer sobre Ele como pomba, instante em que o Pai deu, também, testemunho do Filho (Mt.5:13-17; Mc.1:9-11; Lc.3:21,22; Jo.1:32-34). Por isso, não tem o menor cabimento todo e qualquer escrito apócrifo que atribui milagres a Jesus na Sua infância, adolescência e juventude, pois Jesus nunca assumiu a Sua divindade no Seu ministério, mas, para cumprir a Palavra de Deus, esvaziou-Se desta Divindade, sendo um homem ungido pelo Espírito Santo para cumprir tudo quanto estava determinado a Ele na Sua obra (Jo.17:1-4).

III – EPISÓDIOS BÍBLICOS QUE ATESTAM A HUMANIDADE DE JESUS

– Temos visto que o fato de Jesus ter Se humanizado, não Lhe retirou a natureza divina. Foi esta a afirmação solene que se declarou no Concílio de Nicéia, convocado por pressão do imperador romano Constantino, em 325 d.C., quando não se criou dogma algum, mas apenas se afirmou o que já constava das Escrituras, ou seja, na linguagem do próprio Concílio: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Único de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas.E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Maria Virgem, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus-Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim”. Esta declaração é parte do chamado “Credo Niceno- Constantinopolitano” ou “Símbolo da Fé”.

– A maior prova de que a declaração resultante do Concílio de Nicéia não foi qualquer inovação, mas mera afirmação do que já constava na Bíblia Sagrada é a circunstância de que muitos são os episódios na Bíblia Sagrada que mostram que Jesus realmente Se humanizou. Vejamos alguns.

– A concepção de Jesus (Lc.1:31) é a primeira demonstração de que Jesus Se humanizou, como já dito supra. Como todo e qualquer ser humano, Jesus foi concebido no ventre de Sua mãe, ainda que não por força de fecundação de um espermatozóide e de um óvulo, mas por obra e graça do Espírito Santo, a exemplo do que ocorreu com Adão.

– A propósito, quando do anúncio da concepção de Jesus, vemos claramente que, ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, inclusive alguns sedizentes “evangélicos”, a Bíblia deixa-nos claro que Jesus, assim que concebido, era um ser totalmente distinto de Sua mãe, como nos mostra o episódio do encontro de Maria com Isabel, retratado em Lc.1:39-45. Destarte, assim que concebido no ventre de Sua mãe, o ser humano é uma vida completamente distinta de sua mãe, de modo que defender o aborto sob o argumento de a “mulher tem direito sobre o seu próprio corpo” é uma grande mentira, pois o ser concebido não é parte do corpo da mulher, mas uma vida completamente independente. Fujamos, pois, destes “abortistas”, principalmente dos que se dizem “evangélicos”.

– Outro episódio que nos mostra que Jesus Se humanizou, foi a própria gestação de Maria, que foi como qualquer outra. Tendo ficado com Isabel por cerca de três meses (Lc.1:56), retornou e foi recebida por José, graças à intervenção divina (Mt.1:20-25), tendo, então, chegado o momento de nascer, nascimento este que foi igual ao de qualquer outro ser humano. Maria deu à luz a Jesus (Mt.1:25; Lc.2:6,7). Nada nas Escrituras atesta que tal nascimento tenha sido “virginal”, ou seja, que Maria tenha se mantido virgem após o nascimento de Jesus, antes, pelo contrário, as Escrituras demonstram que isto não ocorreu e que Maria não só manteve relações sexuais com José, como teve outros filhos. O fato de Jesus ter nascido é mais uma prova de Sua humanidade (Mt.2:1; Lc.2:11).

– Ao nascer, Jesus Se tornou membro de uma família (Mt.1:18-25), o que revela, também, a Sua humanidade. Com efeito, enquanto Deus, não tem genealogia, não tem origem, pois é eterno (Hb.7:3). Entretanto, enquanto homem, Jesus teve mãe (Lc.2:5-7) e um “pai social”, ainda que não biológico (Lc.3:23). Jesus não só teve família, como cumpriu rigorosamente todos os Seus deveres familiares (Lc.2:51; Jo.19:26,27). Como se costuma dizer, enquanto Deus, Jesus tem Pai, mas não tem mãe; enquanto homem, Jesus tem mãe, mas não tem pai.

– Sem qualquer base bíblica, portanto, a atribuição de qualquer valor espiritual à maternidade de Maria, porquanto o pertencimento de Jesus a uma família é um aspecto de Sua humanidade, aspecto este que se findou com a morte do Senhor na cruz do Calvário. Tanto assim é que, antes de morrer, Jesus entregou Maria aos cuidados de João, passando, então, Maria, a partir daquele instante, a ser mãe de João e não mais mãe de Jesus. Os relacionamentos familiares são relacionamentos restritos a esta Terra, algo que cessa nesta dimensão terrena (Mt.22:30; Lc.20:34-36; Rm.7:1-3). Por isso, não tem qualquer sentido intitular-se Maria como “Mãe de Deus” e, além disso, construir virtudes e funções espirituais concernentes à salvação a Maria por ter sido ela a mãe de Jesus.

– Jesus teve um nome (Mt.1:21), o que também demonstra a Sua humanidade. Embora Seu nome tenha sido dado pelo próprio Deus, conforme anunciado pelo anjo Gabriel (Lc.1:31; 2:21), é este também um fator que denuncia a Sua humanidade. Ter um nome é algo próprio do homem (Gn.2:20; 3:20), tanto que, quando os salvos forem inseridos na eternidade, deixarão o nome que tinham na vida debaixo do sol, recebendo um novo nome (Ap.2:17). O próprio Jesus, ao vencer o mundo e o pecado, recebeu um nome que é sobre todo o nome (Fp.2:9-11). Quando voltar em glória com os santos para salvar Israel, o nome que ostentará será o de Verbo de Deus (Ap.19:13).

– Outro fator a demonstrar a humanidade de Jesus é a sua genealogia, decorrência do fato de ter tido uma família. A Bíblia nos apresenta duas genealogias de Jesus: a jurídica, presente em Mateus, interessado em demonstrar que Jesus é o Messias, o descendente do trono de Davi (Mt.1:1-17) e a biológica, presente em Lucas, interessado em mostrar que Jesus é o Filho do homem, o homem perfeito, a semente da mulher, o segundo Adão (Lc.3:23-28). Ter genealogia é ter origem e a circunstância de Jesus ter origem indica que Ele Se fez homem, foi feito criatura.

– Mas Jesus também teve uma profissão secular (Mc.6:3), demonstrando que assumiu a humanidade também na necessidade de trabalhar para sobreviver (Gn.3:17-19). Jesus foi, antes de tudo, um trabalhador, tanto materialmente falando, como, também, espiritualmente (Jo.5:17). Trabalhar é uma das atividades que faz o homem semelhante a Deus, é um dos aspectos da imagem e semelhança de Deus (Gn.1:26). Ao contrário do que muitos pensam, trabalhar não é conseqüência do pecado, pois o homem foi posto no mundo para trabalhar e, com seu trabalho, dignificar e glorificar ao seu Criador (Gn.3:15). Jesus foi um trabalhador, tanto que, entre os seus “conterrâneos” de Nazaré, era identificado como “o carpinteiro, filho do carpinteiro” (Mt.13:55; Mc.6:3).

– Ser trabalhador é demonstrar humanidade e, mais do que isto, uma humanidade que se porta segundo os propósitos divinos. Como estão longe deste modelo os ociosos, os preguiçosos, os aproveitadores que sob a falsa rubrica de “pessoas que vivem da obra” nada mais são que vagabundos, que desordenados (I Ts.4:11; II Ts.3:6-10), que estão tão somente a escandalizar e a explorar a igreja do Senhor. Sejamos trabalhadores como foi Jesus!

– Outra demonstração da humanidade de Jesus está na circunstância de que foi cumpridor dos deveres cívicos (Mt.12:19-21;17:24-27; 22:15-21; Jo.19:6). Seja diante das autoridades religiosas judaicas, seja diante dos dominadores romanos, Jesus sempre cumpriu os seus deveres, mostrando que estava sujeito às autoridades constituídas por Deus (Rm.13:1,2). Embora nunca negasse Sua condição divina, como vemos seja no diálogo que manteve com Pôncio Pilatos (Lc.23:3; Jo.18:35-38) ou no episódio das didracmas do templo (Mt.17:24-27), Jesus nunca deixou de Se submeter às autoridades, revelando, assim, o Seu esvaziamento, a Sua autolimitação. Muitos, pelo contrário, inclusive em muitas igrejas locais, preferem aceitar a oferta satânica de poderio ilusório (Mt.4:8,9), cavando para si mesmos a perdição eterna. Que Deus nos guarde!

– Outra demonstração da humanidade de Jesus está no fato de que a Bíblia nos mostra que, durante o Seu ministério terreno, o Senhor teve cansaço (Mt.8:24; Jo.4:6). Ora, sabemos que Deus não Se cansa (Is.40:28), de forma que o fato de Jesus ter Se cansado demonstra que assumiu integralmente a humanidade. Não há como, pois, dizer como os gnósticos que Jesus era apenas um espírito evoluído, um “fantasminha camarada”, que parecia ter assumido a forma humana, mas que de fato não a tinha. Como admitir, então, que Jesus tivesse cansado, a ponto, inclusive, de dormir em virtude deste cansaço? Isto é uma prova indelével de que Jesus veio em carne (I Jo.4:2,3).

OBS: O gnosticismo era uma doutrina religiosa já existente antes do ministério terreno de Cristo, mas que se inseriu no meio dos cristãos, causando dúvidas e incertezas na igreja primitiva, pois os gnósticos diziam que a matéria era má e que, portanto, ninguém que fosse dotado de um corpo físico poderia ser um “espírito evoluído”, um “aeon”. Entendiam, assim, que Jesus nunca poderia ter sido homem, se era um “espírito evoluído”, se era o Messias. A influência perturbadora dos gnósticos se faz sentir quando vemos que Paulo e João, em seus escritos, atacaram diretamente este entendimento que, com algumas variações, ainda está presente, atualmente, entre os kardecistas e outros segmentos espiritualistas.

– Outro episódio que denuncia a humanidade de Jesus foi o fato de Jesus ter tido fome (Mt.4:2). Após quarenta dias de jejum, Jesus estava fisicamente combalido e tinha fome, tanto que foi com base nesta necessidade que o adversário iniciou a tentação no deserto. Ao lado do poço de Jacó, além de sede, Jesus também teve fome. Ele, que era o pão da vida (Jo.6:48), submeteu-Se à fome por amor a cada um de nós. Aleluia! Observemos que, para mostrar que era humano e não um “espírito”, Jesus, mesmo depois de ressurreto, comeu (Lc.24:37-43).

– Além de fome, Jesus também teve sede (Jo.4:6; 19:28). Aquele que é a fonte de água viva (Jo.4:10,11; 7:38), também Se submeteu à sede por amor a cada um de nós. A sede que demonstrou sofrer durante a crucifixão, mostra como Jesus realmente Se humanizou, pois é uma reação característica de quem sofria este tipo de pena.

OBS: “…Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. …” (BARBET, Dr. A dor da crucifixão: médico francês reconstitui a agonia de Jesus. Disponível em: http://www.lepanto.com.br/higgcruc.html Acesso em 27 nov. 2007).

– Mas Jesus Se humanizou e isto vai além de ter tido um corpo preparado para si. Na verdade, ao Se humanizar, Jesus recebeu não só um corpo, mas também uma alma e um espírito. Tendo alma, que é a sede da nossa personalidade, Jesus manifestou sentimentos (Mt.8:31; Mc.3:5; Lc.10:21; Jo.11:35), demonstrando tanto alegria, quanto tristeza, além de amor e compaixão. Esta é a prova de que Jesus era dotado de uma alma, alma que se angustiou até a morte na grande aflição do Getsêmane (Mt.26:38; Mc.14:34), onde, a propósito, derramou gotas de sangue em vez de suor, a demonstrar, uma vez mais, a Sua integral humanidade.

OBS: “Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela. ‘Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra’. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra….” (BARBET, Dr. Op.cit.)

– Outra demonstração da humanidade de Jesus foi o fato de Jesus ter sido tentado(Mt.4:1; Mc.1:13; Lc.4:2; Hb.2:18; 4:15). Deus não pode ser tentado (Tg.1:13), de sorte que a circunstância de Jesus ter sido tentado em tudo e durante todo o tempo é uma prova inequívoca de Sua humanidade. Entretanto, ao contrário do primeiro casal que, tentado no Éden, onde possuía tudo à sua disposição, o Senhor Jesus, mesmo no deserto, onde tinha carência de tudo, venceu o mundo e, por isso, pôde nos dar a certeza de que podemos vencer, enquanto seres humanos, o diabo e suas tentações.

– Ao se despir da Sua glória, ao Se esvaziar, Jesus passou a depender da ajuda de Deus (Mt.14:23). Jesus foi um homem de oração, que mantinha uma perfeita comunhão com o Pai (Jo.11:42). Esta comunhão estabelecida com o Pai durante o Seu ministério terreno era a comunhão do homem Jesus com Deus, não a comunhão que sempre existiu desde sempre entre o Filho e o Pai, que é resultado da Sua deidade e que foi objeto da lição anterior. Com efeito, na oração sacerdotal, Jesus mostra que glorificou o Pai na Terra, consumando a obra que Lhe havia sido dada a fazer (Jo.17:4) e, por isso, pedia que houvesse a glorificação com aquela glória que Ele já havia desfrutado desde a eternidade passada (Jo.17:5). Vemos, portanto, que esta comunhão era resultado da submissão de Jesus à vontade do Pai, submissão esta feita enquanto homem, decorrência da obediência e da adoração a Deus ante as tentações. É esta comunhão que devemos ter, também, com o Pai, uma comunhão possível, pois é a comunhão de um ser humano com Deus, na pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por causa disto, Jesus Se santificou (Jo.17:19), para nos dar o exemplo (I Pe.2:21-23), a fim de que também vençamos o mundo (Jo.16:33).

– Há muitos, na atualidade, que, por não compreenderem a dupla natureza de Jesus, acham que é impossível vencer as tentações, resisti-las. No entanto, a Bíblia afirma que não somos tentados além de nossa capacidade de resistência (I Co.10:13) e que a queda advém de nossa própria concupiscência (Tg.1:14-16). Jesus venceu o pecado enquanto homem, tendo, por isso, recorrido à ajuda de Deus, seja na oração, seja no conhecimento das Escrituras (Lc.4:17), cuja ignorância foi apontada pelo Senhor como a fonte do erro (Mt.22:29; Mc.12:24). Jesus tinha uma vida devocional exemplar, não só cumprindo toda a lei (Mt.5:17), o que Lhe era imposto, visto que havia nascido sob a lei (Gl.4:4), como também adotando os bons costumes de seu tempo (Lc.4:15,16). Se Jesus teve de Se santificar, orar, conhecer as Escrituras e freqüentar os cultos, como podemos achar que seremos vencedores se não fizermos isto? Que Deus nos desperte para esta necessidade, que tanto maior quanto se aproxima o dia do arrebatamento da Igreja!

– Como ser humano, Jesus também teve um espírito (Mt.26:41; 27:50; Mc.14:38; Lc. 10:21; 23:46; Jo.11:33; 13:21; 19:30), que, com a Sua alma, formava o Seu homem interior. Em Seu ministério terreno, Jesus foi sempre guiado pelo Espírito Santo (At.10:38), prova de que, em Sua humanidade, o espírito dominava sobre a carne (Jo.6:63). Assim deve ser, também, na vida de cada crente (Rm.8:10).

– Outra prova da humanidade de Jesus é a Sua morte (Mt. 27:50; Mc.15:37; Lc.23:46; Jo.19:30,34; At.2:23; Fp.2:8). Enquanto Deus, Jesus jamais poderia morrer, porque Deus é eterno e a própria vida. Todavia, enquanto homem, embora não tivesse jamais pecado, Jesus morreu para que, pela Sua morte, pudéssemos ter vida. Jesus morreu, ou seja, enquanto homem, houve a separação de Seu corpo, que foi sepultado no sepulcro novo de José de Arimatéia (Mt.27:58-60; Mc.15:42-46; Lc.23:52,53; Jo.19:38-42), e o Seu homem interior, entregue que foi, pelo próprio Senhor, a Deus no instante final de Sua existência terrena. Esta separação entre corpo e homem exterior é a morte física, morte que foi imposta aos pecadores, mas que foi assumida por Jesus como pagamento da nossa salvação.

– Apesar dos inúmeros testemunhos a respeito da morte de Jesus nas Escrituras, testemunho do próprio Jesus, que afirma que foi morto (Ap.1:18), o espírito do erro continua a propalar a idéia de que Jesus não chegou a morrer. Não são poucos os movimentos religiosos que negam a morte de Jesus. Muitos espíritas insistem em dizer que Jesus era um “espírito evoluído” e, portanto, jamais poderia ter morrido, embora isto tenha aparentemente ocorrido. Deste mesmo parecer são os muçulmanos, que afirmam que mataram outra pessoa em lugar de Jesus, que teve vida longa, morrendo em idade avançada. Tudo isto, porém, nada mais é que engano, pois Jesus realmente morreu, porque Se fez homem e semelhante aos irmãos.

OBS: O Corão nega que Jesus tenha sido crucificado: “…E por seu dito;’ Por certo, matamos o Messias, Jesus, Filho de Maria, Mensageiro de Allah’. Ora, eles não o mataram, nem o crucificaram, mas isso lhes foi simulado [nota 4 – O Islão prega que não foi Jesus crucificado, mas o foi, em seu lugar, um sósia]. E, por certo, os que discrepam a seu respeito estão em dúvida acerca disso [nota 5 – Alusão às divergências nascidas da dúvida dos cristãos quanto às circunstâncias da morte de Jesus Cristo, o que prova que o próprio Cristianismo não tem certeza absoluta a respeito]. Eles não têm ciência alguma disso, senão conjeturas, que seguem. E não o mataram, seguramente; Mas Allah ascendeu-o [nota 1 – Embora entenda a ascensão como fato incontestável, o Alcorão não oferece maiores informações sobre isso] até Ele. e Allah é Todo-Poderoso, Sábio…” ( Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa com a colaboração da Liga Islâmica Mundial, realizada por Dr. Helmi Nasr 4:157-158, pp.159-160). Bem se vê, pelas próprias notas da tradução oficial do Corão que os islâmicos inventam uma dúvida inexistente entre os cristãos e, ao mesmo tempo, afirmam uma ascensão que não explicam. Entretanto, cada vez mais pessoas no mundo acreditam neste absurdo. É o cumprimento de II Ts.2:10-12.

– Outra prova da humanidade de Jesus é a Sua ressurreição. Com efeito, o fato de Jesus ter ressuscitado pressupõe que tenha morrido, o que, como vimos, é uma demonstração de Sua humanidade. Mas, além disso, as Escrituras são claras ao dizer que Jesus foi ressuscitado por Deus (At.2:34; 13:30; Rm.8:11). Ora, se Jesus foi ressuscitado por Deus, isto significa que quem foi ressuscitado foi o homem Jesus e nem poderia ser diferente, vez que Deus jamais poderia morrer. Jesus foi ressuscitado para que se cumprissem as Escrituras (Lc.24:44-48) e, nesta ressurreição, Jesus é o primogênito dentre os mortos (Cl.1:18), as primícias dos que dormem (I Co.15:20), porque foi o primeiro homem a ressurgir em corpo espiritual (I Co.15:44), incorruptível (I Co.15:42), imortal (I Co.15:54).

– É importante observar que a humanidade de Jesus não terminou com a Sua morte, como muitos pensam. Ao ser ressuscitado, Jesus manteve a Sua humanidade, já, agora, porém, não mais esvaziada da Sua divindade, daí porque, a partir da ressurreição, estar em Jesus a Divindade e a Humanidade em plena atividade, pois Ele venceu a morte e o inferno (Ap.1:18). Tanto a humanidade de Jesus não terminou que a Bíblia diz que seremos semelhantes a Ele (I Jo.3:2) e que quem é o mediador entre Deus e os homens, na atualidade, é Jesus Cristo homem (I Tm.2:5), pois só o homem Jesus pode entender o pecador (Hb.2:10-18).

Sobre Andre Magalhaes

Meu Senhor é Jesus
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Uma resposta para JESUS VERDADEIRO HOMEM, VERDADEIRO DEUS

  1. nayara disse:

    Fiquei muito satisfeita com o conteúdo aqui exposto, relatos verdadeiros dos propósitos de Deus para com o homem. O que falta é interesse real das pessoas buscarem conhecer e aprender de Deus, por isso tantas contradições religiosas e pensamentos fundados em interesses próprios a respeito de Deus. Está de Parabéns!! Que muitas vidas possam ser abençoadas aqui!!

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