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HOMOSSEXUALIDADE UM ENGANO EM MINHA VIDA

Nasci em Contagem, Estado de Minas Gerais. Não conheço você, mas Deus conhece e sabe exatamente o que está em seu coração neste momento, as dores físicas e emocionais que já passou ou tem passado, o desprezo que já recebeu, as dificuldades do seu dia, as alegrias, desejos e vontades, enfim, não há nada encoberto diante Dele, nem mesmo aquele segredo que só você sabe, que está escondido em seu coração, encoberto diante das pessoas.

Durante minha infância recebi grande atenção, amor e carinho das mulheres da família. Fiquei sabendo que eu era muito chorão, e que várias vezes quando demonstrava que iria chorar, me davam de tudo para que eu nem iniciasse o choro. Com o tempo aprendi a manipular as pessoas “engolindo fôlego”, chorava tanto até que tentava engolir a própria língua ficando com a pele toda roxa. Todos me davam atenção, então isto passou a fazer parte dos momentos onde eu não era compreendido. Conseguia receber o que queria usando deste tipo de choro. Quando alguém me fazia mal eu começava a fazer papel de vítima, algumas vezes até mesmo inconscientemente, até que com este comportamento conseguisse algo. Aprendi que ninguém me faria mal se fizesse papel de criança indefesa, de vítima.

Aos quatro anos de idade fiquei doente e fui internado em um hospital por vários dias, Hospital Santa Rita, em Contagem. Lembro-me de ser muito apegado à minha mãe. Meus olhos não saiam de perto dela. Não queria ficar no hospital, a não ser que minha mãe ficasse comigo, sempre. Levaram-me para um quarto que continha vários berços, recebi atenção das enfermeiras e da família. Dormi e quando acordei, olhei à minha volta e não vi ninguém que conhecia, e pior, não vi minha mãe. Comecei a chorar, a soluçar, queria minha mãe. As enfermeiras tentavam me fazer parar, e cada vez mais eu chorava. O cansaço aumentou e não agüentei, cai num sono profundo e quando acordei minha mãe já estava de volta. Como foi difícil este momento, tive a sensação de abandono. A figura materna era mais forte para mim do que a figura paterna. Não tenho na lembrança de ter chorado assim pela presença do meu pai.

Quando alcancei a idade de ir para a escola, um desespero afligiu minha alma. Simplesmente chorava até que a professora ligasse para minha mãe ir me buscar. E isto se repetiu por várias vezes, eu não queria ficar ali com aquelas crianças num lugar que não era meu. Não ficava à vontade de estar ali, de pedir para a professora que eu precisava ir ao banheiro, tinha vergonha de tudo, trazia comigo timidez e insegurança. Este comportamento levou-me a ouvir muitas palavras destrutivas vindas dos outros alunos. Ouvia por diversas vezes me chamarem de chorão, de menininha. Estas palavras feriam demais meu coração, e me afastavam deles. Procurei não demonstrar que estava sendo ferido. Como gostaria de ser aceito por eles.

Uma vez, estava de mãos dadas com meus pais, fomos até um posto de gasolina perto de casa. No caminho encontramos uma mulher que os conhecia, ela olhou para mim e disse: “que menina mais linda!”. Meus pais disseram: “Não é menina, é menino”. Como fiquei triste de ser comparado com uma menina mais uma vez. Por não gostar de futebol e corrida de fórmula 1 recebia cobranças da família e amigos. Gostava de estar com as meninas, identifiquei-me com elas, eram calmas e falavam comigo, nos entendíamos muito bem. Ao contrário dos homens, eu os via correndo atrás de uma bola, sem camisa, suados, gritando um com o outro e achava tudo isto uma perda de tempo. Sentia certa exclusão por não gostar do que eles gostavam. Como poderia sentir vontade de estar com eles se estavam sempre me jogando para longe do seu grupo com brincadeiras e comentários? Na escola tinha aula de educação física e sempre tinha que parar por causa da falta de ar. Fazer educação física era passar por vários constrangimentos, como ficar com dificuldades para respirar e receber as palavras dos meus colegas, de que eu era de vidro, não conseguia nem jogar bola que ficava doente. Para proteger-me das provocações dos meus colegas eu fazia com que a falta de ar ficasse sempre pior e assim, eles veriam que realmente era difícil para mim. Gostaria de ser como eles, “hominhos”, tinham gosto de jogar bola e fazer esporte. Não conseguia fazer parte do clube, pois até mesmo as conversas sobre meninas e sexo não me agradava. Falavam de como iriam fazer com uma menina, como eles estavam conhecendo seus corpos. Como se gabavam de contar estas histórias. Estas conversas serviam para me constranger, achava que sexo era pura maldade. Cresci achando o sexo algo muito vulgar. Não havia ligação do sexo com amor, era sempre ligado a maldade, para mim era algo pecaminoso e errado e que só era feito às escondidas.

Certa vez meus primos me levaram para brincar em um parque que estava na cidade. Minha mãe e tias me vestiram e cuidaram de mim. Ao olhar no espelho não gostei do que vi. Não gostei da minha roupa. Meu cabelo me fazia parecer uma menina. Saímos de casa em direção ao parque. Até então tudo estava indo bem. Em um certo momento, fiquei longe dos meus primos, e me vi frente a um grupo de adolescentes que ficaram a minha volta e começaram a zombar da minha roupa e cabelo. As palavras eram duras, fui chamado de “veadinho”, menininha, “bichinha”. Como aqueles garotos podiam fazer aquilo, vieram do nada e me atacaram com palavras que feriram profundamente minha alma. Novamente ali estava eu, fora do grupo, excluído do clube dos meninos, queria ser aceito por eles, só isto. Assim que consegui sair do meio deles fui para casa, sozinho, carregando comigo todo aquele emaranhado de sentimentos ruins, nem avisei meus primos. Ao chegar em casa, recebi uma bronca por ter vindo embora sozinho. Meus primos ficaram zangados comigo. Não entenderam o porquê do meu comportamento. Guardei comigo o que houve naquele parque e sofri sozinho. Passei a conviver com estes sentimentos dentro de mim, uma mistura de mágoa, tristeza e solidão. Novamente senti a exclusão, o desprezo e a dificuldade de fazer parte do clube dos meninos. O que havia de tão mal nestas pessoas que não faziam nenhum esforço para me aceitar no meio deles? Várias vezes os meninos do bairro perto de casa se reuniam para fazer brincadeiras sexuais entre si, neste momento eu me sentia aceito por eles. Neste momento eles deixavam que eu participasse das brincadeiras, por um bom tempo aprendi a fazer as “sacanagens” que um fazia com o outro e a desejar aquilo. Enfim fui aceito.

Minha mãe começou a trabalhar fora de casa, saía cedo e só voltava à noite. Uma empregada passou a fazer parte da rotina da casa durante todo o dia. No início da noite eu ficava sentado na frente do portão de casa esperando minha mãe chegar. Quando ela chegava uma felicidade surgia em meu coração. Toda vez que eu ia para casa de algum primo para dormir fora, eu chorava até que me trouxessem de volta. Podia passar o dia com eles, mas na hora de ir dormir eu queria ir para casa. Em um certo dia, uma de minhas tias e seus filhos estavam conosco em casa. Ela tinha uma menina e um menino da minha idade. Estávamos brincando no quintal e esta tia teve a idéia de me vestir com roupas de menina, até passou batom e maquiagem no meu rosto. No início achei legal, gostei de estar vestido de menina, mas logo vi as pessoas que passavam na rua olharem para aquela situação e rirem de mim. Corri para trás de um monte de pedras e me escondi. As pessoas riam e faziam piadas ao me verem vestido de menina. Acredito que esta tia me vestiu de menina porque percebeu que eu gostava do que as meninas gostavam. As brincadeiras de menina me chamavam atenção, tanto que eu brincava de boneca e de casinha com elas. A conversa delas agradava mais do que a conversa dos meninos, elas sabiam me receber e me aceitavam sem críticas e restrições. As meninas não zombavam de mim. As pessoas a minha volta percebiam este comportamento em mim, cada uma reagia de uma forma. Uns eram mais vorazes em seus comentários, me chamavam de “bichinha”, “veadinho”, menininha, outros não diziam nada, outros ficavam falando entre si. Toda família reconhecia que eu tinha um “jeitinho”, mas não tocavam no assunto.

Aos nove anos de idade comecei a pensar em namorar e nutria um carinho por uma menina. Quando comentei com meus colegas, eles riam e diziam que eu não ia conseguir porque não gostava de meninas e era “efeminado”. Simplesmente me rotularam por verem em mim um comportamento mais tímido e introvertido. Com toda minha insegurança e timidez fui até o encontro desta menina que eu gostava. Quando cheguei perto dela fiquei mudo, com muita vergonha da situação não fiz nada. Criei uma expectativa não só em mim, mas nas pessoas que me levaram até ela. Ficavam me cobrando para que fizesse um movimento na direção dela. A vergonha tomou conta de mim e só consegui trocar algumas frases com ela. Percebi que seria complicado demais me relacionar com ela ou com qualquer menina que fosse por causa da vergonha e timidez. Passei a conviver com um sentimento de frustração e impotência. Fiquei convencido de que não conseguiria namorar uma garota. Conseguia sonhar com uma menina, imaginar namorando e passeando, mas quando o sonho ia se tornando real e vendo que não daria conta da situação, parava tudo. Ao contrário de mim meus colegas se davam muito bem com as meninas, tinham uma certeza do que eram e poderiam fazer com elas que eu não entendia. Tinham o domínio da situação, não tinham vergonha nem timidez. Estavam se dando bem em suas paqueras, namoros e intimidades. Tudo isto era muito difícil para mim.

Devido às dificuldades financeiras de minha família, meu pai foi para o sul, cidade de Curitiba no Paraná. Conseguiu um trabalho em Pontal do Paraná. Sem ele conosco, nos mudamos para o apartamento de minha avó. Que época difícil para todos nós. Morar numa casa que não era nossa, conviver com pessoas que tinham seus compromissos, suas manias. Senti falta do meu pai. Escrevi diversas cartas para ele falando da saudade que sentia e de que gostaria de tê-lo por perto. Ele era um homem calado, de poucas palavras. Não demonstrava carinho físico nem verbal pelos filhos. Gostaria que meu pai fosse como os pais dos meus primos, que abraçavam, davam atenção e era próximo deles. Raramente eu via meus pais demonstrando carinho um pelo outro. Sabia que se gostavam mesmo não vendo na prática o amor que tinham entre si. Nem imaginava que eles faziam amor, acreditei na mentira que uma cegonha trazia os bebês e que o beijo poderia engravidar uma mulher. Não lembro de meu pai falando que me amava ou que gostava de mim. Uma vez, estava na sala de casa no colo dele. Brincava com o cabelo do seu peito e na TV passava uma novela chamada Pai Herói. Na abertura desta novela tocava uma música muito bonita falando do relacionamento entre pai e filho. Enquanto a música tocava, uma cena me chamou atenção. Um quebra cabeças era montado, e aos poucos surgia um caminho entre árvores e um menino caminhando junto à figura do que seria seu pai. Detalhe, a figura do pai não foi preenchida, estava em branco. Uma criança passeando de mãos dadas com o pai, seu pai herói, por outro lado o pai não estava lá, ele estava presente, mas ausente. O que deve ser mais cruel para a formação de uma criança, um pai presente ausente ou um pai que mora longe? Era assim que me sentia em relação ao meu pai, um vazio, uma necessidade de aceitação por parte dele, de receber carinho e ser amado. Mas, por mais perto que ele estivesse fisicamente de mim, sentia um abismo enorme entre nós. Eu queria um pai herói, que estivesse junto de mim, mas ele não era assim. Hoje sei que ele não poderia me dar o que não tinha aprendido e nem recebido dos pais dele.

Aos 14 anos de idade recebi a notícia que teríamos que ir morar em Curitiba. Lá estávamos eu, minha mãe e irmã, dentro de um carro indo para a rodoviária de Belo Horizonte. Ainda dentro do carro, olhei para trás e vi minhas tias e avó sendo deixadas para trás. Ao chegar na cidade de Curitiba senti as dificuldades que estavam por começar, não só para minha família, mas principalmente para minha vida. Ficamos hospedados na casa de parentes. Havia uma pessoa conhecida que estava descobrindo sua sexualidade vendo fotos em revistas pornográficas. Uma vez ela pediu-me que devolvesse uma destas revistas para uma amiga, e no caminho abri e fiquei vendo as fotos. Fiquei surpreso ao ver o que aquelas mulheres faziam, era a tal da maldade que sempre ouvi dos meus colegas. Toda vez que ouvia meus colegas, tios, primos falarem de sexo, era de uma forma totalmente maliciosa e sem respeito nenhum com a figura da mulher. Pensei que só as mulheres impuras é que faziam sexo. Fiquei com a imagem daquelas fotos na minha mente e ao ver o corpo nu dos homens naquela revista lembrei-me das brincadeiras que fazia com meus primos e colegas do bairro. Associei as brincadeiras sexuais que aprendi com eles aos homens das fotos pornográficas. Percebi que desejava o corpo daqueles homens.

Começou o ano letivo e fui matriculado em uma escola. Novamente, ao conviver com outros pré-adolescentes, percebi minha dificuldade de relacionamento. Logo as palavras que feriam minha masculinidade começaram a ser ditas pelos meus novos colegas. Minha timidez aumentava a dificuldade de relacionamento com as pessoas. Neste tempo queria namorar mesmo sabendo da minha dificuldade de relacionamento com as meninas, principalmente quando imaginava que elas faziam sexo daquela forma que vi nas revistas pornográficas. Sexo para mim não estava relacionado com amor e sim com maldade. Meus amigos já falavam de seus envolvimentos, suas intimidades com as garotas, suas experiências sexuais e eu nada. Com 18 anos arrumei uma namorada, gostei dela. Em pouco tempo de namoro ela começou a ter atitudes que me assustaram, teve iniciativas que fizeram com que temesse estar com ela. Ela já havia tido suas experiências sexuais e eu não. Certa noite, em uma danceteria, ela pediu-me que a tocasse de modo mais íntimo e recusei por estar no meio de pessoas. Ela insistiu, fiquei constrangido. Como eu não tomava nenhuma iniciativa ela disse ao meu ouvido: “às vezes acho que você não é homem”. Naquele momento, veio em minha mente todas as palavras de maldição que feriram minha masculinidade. As palavras da minha namorada me feriram profundamente. Minha atitude naquele momento foi deixá-la naquele lugar. Sai dali e não a vi por um bom tempo. O que havia se quebrado na infância e adolescência veio a se quebrar ainda mais. Decidi não ter relacionamento com mulheres, com ninguém, assim estaria seguro. Decidi ficar sozinho.

Neste mesmo ano, meus pais viajaram e fiquei sozinho cuidando da casa. Alguém tocou a campainha. Ao abrir a porta qual minha surpresa ao ver aquela garota da danceteria, minha ex-namorada ali, na porta de casa. Deixei-a entrar e ficamos vendo TV e conversando. Aconteceu um beijo e logo ela tirava sua roupa e me levava para o quarto. Fiquei em pânico, meu corpo inteiro travou. Mas ela insistiu em manter relações não respeitando meu pânico. Fugi dali. Após um tempo levei-a para casa e achei que tudo estaria resolvido, não a veria mais. A ferida deste abuso sexual já estava instalada em minha alma. Simplesmente fingi que aquele constrangimento não aconteceu, não dei atenção aos sentimentos que passei ali. Não fazia idéia do abuso sexual que havia passado, do que isto causaria em minha vida a partir de então. Descartei toda hipótese de me relacionar com mulheres, iria ficar só pelo resto de minha vida. Senti frustração, insegurança, medo. Senti minha masculinidade ser destruída. Todas as palavras de maldição que recebi até então se materializaram na minha mente. Era como se aquela garota houvesse descoberto o meu segredo, o meu medo, que eu poderia ter problemas, que talvez não fosse homem, assim como ela havia dito para mim naquela danceteria. Após este acontecido, o rumo da minha vida começou a mudar, eu não fazia idéia do deserto, do engano que viria a passar.

Neste mesmo ano consegui um trabalho em uma empresa. Nesta empresa conheci um rapaz que era assumidamente homossexual e às vezes se comportava como homem e às vezes como mulher. Ele não escondia de ninguém que gostava de homens e algo a mais conquistou minha confiança, fui aceito, não houve rejeição e exclusão, me vi aceito no meio ao qual ele estava inserido. Aquele rapaz que se dizia homossexual me aceitou no clube. Fizemos amizade e logo recebi um convite para participar de um churrasco em sua casa. Mesmo com muito medo do que poderia ver ali decidi ir. Chegando lá, presenciei uma cena que mudou realmente o rumo da minha vida. Ali havia homens namorando homens e mulheres namorando mulheres. Fiquei assustado e ao mesmo tempo aliviado por saber que aquilo era real, que existiam pessoas que gostavam de se relacionar com o mesmo sexo de forma aberta e sem receio do que os outros iriam falar delas. Conhecei uma garota que estava na mesma situação, foi ali para ver o que acontecia na vida daquelas pessoas tão diferentes em sua forma de amar. Fiz amizade com ela e ficamos juntos conversando sobre essa nossa descoberta. Ela nunca havia se relacionado com o mesmo sexo, estava noiva de um homem até pouco tempo, mas decidiu terminar o noivado porque acreditava estar amando uma mulher. Assim como eu, ela havia descoberto pessoas que se rotulavam de homossexuais e que de imediato nos aceitaram sem nenhum desprezo.

Depois deste encontro, minha vida mudou. Meus caminhos se voltaram para a homossexualidade. Passei a ter amigos e amigas homossexuais e a participar de um grupo que me aceitava. Porque sofrer tanto com as palavras de maldição que recebia dos outros durante minha vida inteira se poderia fazer parte daquele meio homossexual, onde ninguém zoava de mingúem por gostar do mesmo sexo. Doce ilusão, doce engano, mal sabia que o pior estava por vir. Havia muita festa, muita risada, muita maquiagem, mas quando a cortina se fechava, o vazio e a insatisfação daquela vida apareciam por trás dos bastidores. Ah se eu soubesse o caminho pedregoso que iria ter que atravessar. Comecei a freqüentar bares e boates para homossexuais. Fiz novos amigos e identifiquei-me com a história de cada um. Todos passaram por situações parecidas com a minha. Com o passar dos anos eu entrava cada vez mais na prática da homossexualidade. Passei a acreditar que havia nascido homossexual quando direcionei meus desejos e vontades sexuais para a prática homossexual, aceitei então que não haveria mudança, sempre seria homossexual. Fiquei 12 anos nesta prática, sem contar os anos decorridos da infância até a adolescência, onde pensava que era diferente, que algo estava errado comigo. Pensei que havia descoberto a verdade, onde tudo que havia escutado de maldição se resolvia naquele mundo homossexual que descobri. O último relacionamento durou cinco anos. Não é necessário descrever aqui tudo o que fiz enquanto na homossexualidade, mas posso dizer que realmente acreditava que havia nascido assim. Não existia nenhuma possibilidade de mudança. Nestes 12 anos que passei na prática da homossexualidade, foram poucos os momentos em que me senti seguro. Pelo contrário, vivia na insegurança e na busca de amor e aceitação, que jamais encontraria nos rapazes com quem estive, eles não poderiam preencher o vazio do meu coração, homem nenhum poderia. De repente, tudo começou a mudar e seguir um novo caminho em minha vida. Aquele brilho da descoberta do meio homossexual começou a passar. Aquele vislumbre de poder “sair do armário” que me acometeu no início começou a perder sua força. Após anos de prática homossexual entendi que nada preenchia o vazio e a insatisfação daquela vida. Minha vida na homossexualidade girava em torno de bares, boates, paquera, insegurança, parecia que meu coração havia virado carne moída. Ninguém me levava a sério por muito tempo. A novidade de estar com alguém logo passava. Meus amigos viviam trocando de parceiros. Quanto engano. Na realidade eu buscava em outro homem aquilo que faltava em mim, precisava suprir uma carência que havia em minha alma que homem nenhum iria preencher, pois nem mesmo eles estavam satisfeitos consigo mesmo.

Cansei de ver meus amigos passarem de mão em mão, trocando de parceiros como se troca de roupa. Pensei na hipótese de abandonar a prática homossexual. Como sair se estava preso naquela vida? Enfim foram 12 anos na prática de um erro que fazia parte da minha vida. A vida na homossexualidade até então era o que eu sabia fazer e até então era verdade para mim. Certo dia liguei para meu irmão menor e pedi que me ajudasse, precisava levar o que era meu para casa de minha mãe. Saí da casa daquele rapaz, com quem vivi por quase cinco anos, não suportei tanta incerteza, tanta mentira, infidelidade e insatisfação sexual. Meu irmão veio até a casa onde morava e lá estava eu com três sacos de lixo com tudo o que me pertencia dentro deles. Retornei para casa de minha mãe carregando comigo três sacos de lixo, financeiramente falido e numa tremenda dependência emocional, deixando para trás um “amigo” e tudo que até então achava que era verdade em minha vida.

A dependência emocional que nutria pelo meu “amigo” estava me matando a cada dia. Olhei para minha vida e percebi que havia construído minha história numa areia movediça. Tudo afundou nesta areia, assim como os amigos, as festas, os relacionamentos, os amores, as paixões. Cai numa depressão profunda. Surgiram questionamentos em minha mente do tipo: quem sou eu? O que fiz até agora? Acreditei ter nascido homossexual e agora percebo que esta prática está me matando. Precisava mudar, mas como? Deixar a prática homossexual era uma hipótese que estava longe demais para alcançar, ainda mais com desejos e sentimentos por pessoas do mesmo sexo.

Conseguia manter meu trabalho mesmo com a depressão. Programei em minha mente uma situação para que pudesse sobrevier à depressão e a dependência emocional que sentia pela vida na homossexualidade e por todos que lá ficaram. Era como se acionasse um botão imaginário em minha mente onde programava meu corpo para sair em direção ao trabalho, depois o desligava ao chegar em casa. Funcionou mesmo com angústia e tristeza tomando conta da minha alma. Minhas forças estavam se esgotando. Olhava para trás e não gostava do que via, o presente estava me torturando, olhava para frente e não visualizava nada. Dentro desta dor emocional ao qual estava enfiado, de tanto pranto, surgiu uma ajuda, uma mão que estava estendida para mim, pronta para me segurar até que recuperasse minhas forças e pudesse caminhar novamente. De repente recebi uma palavra de conforto e surgiu uma esperança. Uma porta de esperança onde não havia nada.

Minha mãe, vendo toda minha angústia, fez-me um convite. Indicou que fizesse uma visita em uma igrejinha onde lá haveria uma missionária falando da Palavra de Deus. Não tinha nada a perder e aceitei o convite. A igreja era pequena, no Bairro Boa Vista. Lá estava eu sentado no meio dos ouvintes. A pastora anunciou a missionária que iria pregar naquela noite. Quando a missionária começou a falar do amor de Deus, meus olhos se encheram de lágrimas. Até então nunca havia ouvido alguém falar do grande amor de Deus pela minha vida, de um Deus que entregou seu Filho por amor de mim. Comi aquelas palavras, bebi de uma água (a Palavra de Deus) que poderia matar a minha sede. Ouvi que Deus me amava e poderia mudar a história da minha vida, que iria dar um novo significado para minha história e bastava eu crer no Filho de Deus, em Jesus. Comecei a buscar por este amor, por este Deus que ela falou tão bem. Um Deus que me prometia fidelidade, salvação e vida eterna através de Jesus. Jesus passou a ser parte da minha caminhada e através dEle encontrei resignificação da minha história.

Ao retornar para casa olhei para mim e permiti Deus mudar minha história. Surgiu uma esperança onde até então não havia nada. Tentava imaginar como aquele Deus mudaria minha vida. Em poucos dias, um gerente que trabalhava no mesmo setor que eu, vendo que minha angústia estava me consumindo, fez-me um convite. Amavelmente convidou-me para visitar a casa dele e participar de uma reunião. Aceitei de imediato sem saber o que realmente aconteceria nesta reunião. Ao chegar lá, fui recebido por pessoas de uma igreja que me amaram muito, um amor sem cobranças e julgamentos, apenas me amaram. Estudamos a palavra de Deus e comecei a aprender mais sobre aquele Deus que a missionária falou que iria mudar minha história, que iria dar um novo sentido para minha vida. No meio da dor, angústia e desespero senti o amor de Deus me envolver. Entendi que não estava sozinho neste momento tão difícil.

Em um destes encontros comentei da vida que levei na homossexualidade. Fui apresentado para um casal que ali estava. Um casal disposto a caminhar comigo. Toda semana eu estaria com eles para receber ajuda e orientação através das verdades que estão na Bíblia. Desesperadamente aceitei o desafio. Passei a fazer parte da rotina daquela família e a freqüentar uma igreja, pois precisava criar um novo círculo de amizades. Ficou combinado que toda segunda-feira eu estaria junto com o rapaz para estudar a Bíblia e fazer um discipulado. No primeiro encontro eu “vomitei” tudo o que estava preso em meu coração. Contei toda minha história e a dor emocional que ainda sentia. Ele ouviu pacientemente e falou que eu não era homossexual, disse que eu estava homossexual. Estas palavras entraram em meu coração e neste momento pensei que ele estava totalmente enganado, que não sabia o que estava falando. Eu sabia de tudo o que havia feito, da vida que levei na prática homossexual, dos desejos e vontades que tinha pelo mesmo sexo. E ele vem me dizer que eu não era homossexual. Imagina, tinha acabado de sair de um relacionamento homossexual de cinco anos e vem alguém me dizer que eu não era homossexual. Resolvi dar uma chance e continuei o discipulado. Começamos a sair e conversar não só sobre Bíblia, mas sobre relacionamento homem e mulher. Várias vezes íamos andar a cavalo em uma cidade próxima de Curitiba, chamada Campo Largo, comprei meu próprio cavalo. Foi muito terapêutico, pois lá eu ficava envolvido com outras atividades esquecendo da dependência emocional e da dor que sentia em meu coração.

A luz da Palavra de Deus trouxe a verdade, caindo toda mentira e engano. O vazio que havia em meu coração foi preenchido pelo amor de Deus. Conforme ia aprendendo a viver com Jesus, as mentiras iam sendo descobertas. Posicionei-me com todas as armas oferecidas na sua Palavra para resistir às imposições do mundo. Eu e o rapaz que vivia comigo, tínhamos uma Bíblia aberta na cabeceira da cama de casal, aberta em algum Salmo que não falava do erro em que vivíamos. Só líamos o que nos era conveniente, era mais fácil. É mais fácil dizer que a Bíblia precisa ser revista do que buscar mudança de vida.
Durante madrugadas estudei a Bíblia, procurei nela por algo que favorecesse a homossexualidade e não encontrei. Neste período clamava em oração por ajuda, chegava em casa na sexta-feira após o trabalho e só saía na segunda-feira para trabalhar. Lembrava-me das festas, do falso brilho, muita risada, gente bonita em suas roupas de marca, barriga cheia de comida e um espírito vazio, mas ao raiar do dia o falso brilho começava a se apagar e aí sim, vinha o vazio daquela vida. Não aceito mais isto em minha vida, hoje a luz que brilha em meu coração vem de Jesus e que a satisfação que tenho em viver vem dEle. Descobri que Deus me amava, mas não ao erro que cometia. Deus não condenaria esta prática em minha vida sem antes oferecer uma saída. A saída está na sua Palavra que é viva e eficaz e no amor de Jesus. Através do Espírito Santo fui convencido do erro em que vivia. Pois só o Espírito Santo pode nos convencer do erro, da justiça e do juízo. Compreendi e aceitei como verdade textos bíblicos que até então eu não aceitava como verdade. Achava que era somente para aquela época. Qual minha surpresa ao ver em minha vida as promessas de Deus serem cumpridas. Aquelas palavras de muito tempo atrás estavam causando efeito em minha vida hoje. A Palavra se mostrou em mim viva e eficaz.

Pude então perceber que realmente havia uma inversão na minha forma de amar. Analisei toda minha vida e conclui que durante o passar dos anos eu estava sendo “construído” para levar uma vida na homossexualidade. Seria difícil uma criança viver as situações que passei e não entrar na homossexualidade. O que havia sido aprendido poderia ser desaprendido. Na verdade aprendi a ser homossexual, e tudo o que fiz na prática homossexual não alterou minha heterossexualidade. Precisava não só mudar radicalmente, mas manter-me nesta mudança. Então tomei a decisão, fiz uma escolha, mudar a história da minha vida, buscar um sentido real para minha história. Conforme superava minhas dificuldades passava a ajudar outras pessoas. Iniciei um trabalho voluntário em uma casa de apoio onde havia crianças, jovens e idosos na mais drástica situação de abandono. Convivi com pessoas que contavam com ajuda voluntária para sobreviverem, pessoas que não serviam mais para a sociedade, deixadas de lado em conseqüência de suas escolhas erradas tais como uso de drogas, prostituição, tráfico entre outras. Algumas pessoas vinham das ruas, sujas e maltrapilhas, outras de famílias completamente disfuncionais. Olhei para a realidade delas e entendi que em meio a minha dor, poderia doar algo de mim para ajudá-los.

O tempo que passei nesta casa de apoio ajudou-me a crescer e amadurecer como pessoa. Sabia que poderia continuar com o trabalho voluntário, mas também aceitei que precisava de ajuda para tratar as minhas feridas na alma. Senti que faltava tratar algumas áreas em minha vida que estavam atrapalhando meu crescimento como cristão e como homem. Sentia solidão, passei a pensar em conhecer uma garota e poder fazer este trabalho voluntário junto com ela. Este passo, deixar uma mulher entrar em minha vida, exigiria muito de mim, teria que abrir mão de várias conquistas para alcançar este momento tão importante, pois não queria ficar só. Decidi não viver mais com homens logicamente teria que me relacionar com uma mulher. Só de pensar nas áreas de minha vida que teriam de ser tratadas eu já ficava em pânico. Não se trata da homossexualidade e sim das raízes que sustentavam a homossexualidade na minha vida. Algumas pessoas que praticam a homossexualidade são completamente contra alguém oferecer ajuda a uma vida que deseja sair desta prática sexual. Isto é uma in justiça, eu precisei e busquei por esta ajuda e fico feliz por ter conseguido. Toda pessoa que está insatisfeita com sua homossexualidade deve ter a liberdade de buscar apoio. Nada mais justo do que isto, quem deseja estar na homossexualidade que fique, procure ser feliz, mas os que estão insatisfeitos merecem receber o apoio devido. Deve haver respeito para os dois lados. Se eu não tivesse recebido ajuda para deixar a prática homossexual não estaria vivendo esta felicidade e satisfação que tenho hoje fora desta prática. Sou contra quem condena e dificulta a vida dos praticantes da homossexualidade, deve-se com toda certeza ter respeito com todos. Quando decidi sair da homossexualidade, as pessoas que me ajudaram em nenhum momento quiseram mudar minha sexualidade, pois elas sabiam que sempre fui heterossexual, e que tudo que fiz e achei ser na questão homossexual não alterou minha heterossexualidade. Então, quando vejo alguém querendo impedir que se ajudem pessoas que voluntariamente buscam apoio para deixar a prática homossexual, fico perplexo, pois esta pessoa não está sendo justa. Há tempos atrás acompanhei um debate entre praticantes da homossexualidade e políticos sobre a questão de proporcionar ajuda aos que buscam voluntariamente deixar a prática homossexual. Neste debate, um praticante da homossexualidade foi questionado se em algum momento buscou ajuda para deixar esta prática e ele respondeu que sim. Isto quer dizer que ele teve a oportunidade de escolher buscar ajuda, porém não deu certo, e vem agora impedir que outros façam o mesmo?

Assim como eu, que era convicto da minha homossexualidade, um dia me encontrei muito insatisfeito e busquei ajuda para mudar, concordo que se ofereça apoio aos que buscam mudança de comportamento. Hoje posso viver a heterossexualidade de forma plena, imagina se houvesse algum impedimento?

Todos os rapazes com quem estive mantinham no seu íntimo a vontade de um dia terem uma vida diferente. Eu podia bater o pé e negar com minhas atitudes e palavras, mas no coração eu desejava mudar. Deixar anos de prática homossexual exigiu de mim cura das feridas da alma, foi um processo gradativo e levou seis anos. Se tivessem prometido mudança instantânea e isto não ocorresse, eu poderia ir embora por não ver meus desejos e vontades transformados de um instante para outro e pior, poderia desacreditar do maravilhoso evangelho de Cristo. Mesmo no erro fui muito amado pelas pessoas que me evangelizaram. Aprendi que Jesus realmente veio ao mundo para buscar e salvar a todos que estão cativos do erro. Precisava buscar Deus de todo o meu coração, de toda minha alma e entendimento, pois não há transformação se não houver busca. Foi preciso abrir mão das situações que até então dominavam minha vida.

Muitos “amigos” do meio antigo me ligavam, não para me ajudar, mas para piorar o estado em que me encontrava. Lembro-me de uma ligação que recebi logo que decidi me afastar daquele meio. A pessoa dizia: ”Como está você Saulo, neste carnaval com quantas pessoas você ficou? Respondi: nenhuma. E ela dizia: “não posso acreditar, pois eu fiquei com seis pessoas nestes dias de carnaval!””. Quanto vazio, hoje se puder falar com esta criatura novamente eu diria: “venha conhecer a verdade, a verdade que trás paz e descanso para sua alma, saia deste abismo e venha para a luz que é viver com Jesus. Somente em Jesus poderá encontrar descanso e conforto para sua alma”. Cansei de buscar consolo, amor e aceitação através da homossexualidade.

Uma vez aceitei um desses convites, o risco de regredir foi altíssimo, fui a um lugar que já havia freqüentado, e pela primeira vez pude perceber como eu havia vivido. Aquele bar parecia um açougue, onde bastava olhar para o lado e tinha um pedaço de carne para se relacionar comigo. Pude perceber como eu buscava me identificar com alguém, como procurava no outro o que faltou receber do meu pai e da minha mãe. Não poderia alcançar resignificação de vida voltando ao que sempre fiz, praticar a homossexualidade. Continuei a caminhada e abracei Jesus com toda minha força. Nenhum erro está fora da redenção de Deus, nenhum. O amor de Jesus pode alcançar o mais profundo abismo. Passei a compreender a diferença entre tentação e pecado. Eu possuía o Espírito Santo que Deus me dera não para me impedir de ser tentado, mas para que me capacitasse a resistir e não ser vencido pelas tentações. Precisava de amadurecimento espiritual. Era preciso dedicação constante de minha parte. Neste momento eu precisava de amor e não de julgamentos.

Durante muito tempo continuei recebendo ligações para sair nos bares e boates, relutei para não aceitar estes convites. De repente Deus providenciou uma mudança na minha vida. Que surpresa mais agradável. O louvor no final deste testemunho diz exatamente sobre esta libertação que recebi. Meus caminhos estavam sendo endireitados. Afastei-me de tudo e de todos do meio antigo, precisava buscar alimento para sobreviver e permanecer firme. Hoje posso enxergar e estar aqui falando do que Deus tem feito em minha vida, para honrar e glorificar este Deus que sirvo, onde pude receber e aceitar a verdade que está em sua Palavra que liberta e dá vida. Descobri que estava alimentado por uma mentira, que acreditara em uma mentira. Quando pude perceber o que realmente eu tinha vivido, confessei que era pecador, aceitando Jesus como meu único Senhor e Salvador, precisava desaprender o comportamento errado que havia aprendido e a Palavra de Deus começou a fazer sentido. Entendi que conheceria a verdade, e se iria conhecer a verdade o que eu vivia era mentira, era falso, ilusão. Esta verdade me libertou do cativeiro ao qual me encontrava. Os rótulos que havia recebido começavam a cair. Hoje sou livre e sirvo a um Deus que muda o caminho errado e incerto de quem Ele quiser, e Ele quer que todos se salvem. Aquele que perder a sua vida por amor a Jesus encontrá-la-á. Lembremo-nos que Ele é o nosso Senhor, devemos nos curvar diante dEle. Ele nos dá o livre arbítrio para escolher entre a vida e a morte.

Hoje falo da dificuldade que vivi enquanto na homossexualidade. Falo mais da verdade que descobri através da palavra de Deus, verdade que me libertou e me tornou livre de todo engano que envolvia minha vida. Para você que se acha livre, que faz o que quer, cuidado, você está mais preso do que possa imaginar. A minha liberdade enquanto na homossexualidade acabou se tornando minha prisão.

Algum tempo atrás um travesti famoso deu uma entrevista em um programa de televisão, onde o entrevistador perguntou: “Você já colocou seios, já delimitou seu corpo com formas femininas, deixou o cabelo crescer, mudou seu rosto, seus lábios, pergunto: porque não faz uma cirurgia para tirar seu pênis e colocar uma vagina?”. Resposta: “Porque não quero fazer o que muitos travestis tem feito, passam horas com psicanalistas, horas de mutilação através de uma cirurgia, depois vão para casa se recuperar, e batem a cabeça na parede, porque sabem que foram feitos homens e pensam como homens”. As leis que hoje existem em países liberais, que asseguram o relacionamento homossexual, cirurgias para troca de órgão genital, seguro de vida, poderiam aliviar o preconceito à minha volta, facilitar o meu dia-a-dia, mas não poderiam assegurar e me proteger do vazio que estava dentro de mim. Existe perfeição em Deus. Compreendi que a vida homossexual que eu levava estava fora do plano perfeito de Deus para mim. A vontade de Deus para mim é boa, perfeita e agradável.

Durante os estudos de 2º grau tive um colega de sala que recebia muitas palavras de maldição vinda dos outros alunos, ele apresentava um jeito efeminado e por isto era rotulado de “veado”, “bicha”. Quando comecei a freqüentar as boates, vi uma mulher que me chamou a atenção, estava vestida de modo muito sensual, fui até ela para conhecê-la, ao me aproximar reconheci seu rosto. Qual minha surpresa ao ver que não era ela e sim ele, aquele rapaz do 2º grau que era efeminado. Havia colocado silicone no seu corpo para ganhar formas femininas. Esta porção da sociedade que disse para este rapaz se aceitar assim, é a mesma sociedade que o jogou em um caldeirão de água fervendo. Há poder na Palavra de Deus, poder que pôde transformar minha vida desde que aceitei a verdade. Busquei cura para as feridas da alma e transformação no meu viver.

Comentei no decorrer deste texto que desejava conhecer uma garota, não queria viver só, mesmo sabendo que teria que tratar outras áreas da minha vida que até então não havia tratado. Relacionamento com pessoas do mesmo sexo eu não queria mais, então precisava aprender a me relacionar com o sexo oposto. Participei de um encontro onde homens e mulheres insatisfeitos com sua vida na homossexualidade buscavam ajuda. Lá conheci uma psicóloga que comentou comigo sobre a necessidade de tratar algumas questões que estavam me impedindo de ter mais qualidade de vida, de alcançar meus novos objetivos. Eu já estava fora da prática homossexual fazia cinco anos. Trazia comigo cicatrizes que precisavam ser realmente tratadas. Agradeci o conselho desta psicóloga e sabia que iria precisar mexer nestas questões mais cedo ou mais tarde. Esta psicóloga tinha conhecimento do que estava falando. Até hoje não tive a oportunidade de dizer a ela, mas uma frase que ela me disse causou grande impacto em mim. Perguntei se ela estava tendo muitos problemas por mudar a sexualidade de uma pessoa de homossexual para heterossexual. A resposta foi tremenda: “Jamais busquei mudar a sexualidade de ninguém, todos são heterossexuais, apenas auxilio pessoas em diferentes áreas de suas vidas que acabam fazendo com que elas deixem de estar homossexuais”.

Antes de ir para este encontro havia terminado meu namoro, pois estas questões que a psicóloga comentou afetavam minha saúde emocional. Conheci minha ex-namorada em uma casa de apoio que passei a ajudar. Cheguei lá para oferecer ajuda voluntária e a conheci ao participar como ouvinte de uma palestra sobre abuso sexual. Gostei dela naquele momento, e sabia que uma nova fase em minha restauração na sexualidade estaria por começar. Vou compartilhar com você um pouco deste momento. Convidei esta garota para tomar um café, mas minha real intenção seria pedir para ela namorar comigo. Estava nervoso e minha voz tremia, e falei que desejava namora-la. Passamos a ter uma amizade especial, onde saíamos para nos conhecer, e logo iniciamos nosso namoro. Tive admiração por ela, o desejo de estar com ela era mais forte do que o medo que sentia pelo desconhecido. Estava quase em pânico, pois tinha medo de algumas situações, medo de ficar sozinho com ela e ser abusado novamente, medo de ouvir novamente palavras que pudessem ferir minha masculinidade. Hoje consigo dar risada desta situação. Foi difícil cada momento deste relacionamento. Quando nós saíamos para namorar eu já planejava todo o percurso, desde o início até o fim, assim teria a certeza que não ficaríamos sozinhos. Com o namoro nosso relacionamento foi se estreitando e percebi que estaria em perigo. Então, terminei o namoro. Mais uma vez me vi sozinho fugindo de uma garota por estar com medo. Era necessário aprender a me relacionar com o sexo oposto, passar a ter relacionamento profundo e não superficial.

Passou o tempo e senti saudades dela, detectei que o amor que senti por ela era maior que todo o medo. Mas ela poderia estar me esperando ou não, eu estava correndo este risco. Em uma viagem que fizemos com nossos amigos voltamos a namorar. Pela segunda vez a pedi em namoro. A fase do namoro foi passando e decidi comprar as alianças para o noivado. Localizei a loja que iria comprar as alianças, enquanto caminhava em direção á loja fui surpreendido por um ataque de pânico, parecia que havia uma multidão a minha volta lançando palavras e olhares de reprovação por estar para adquirir as alianças do meu futuro casamento. Venci o medo e entrei na loja sem demonstrar minha insegurança, tremia por dentro e suava muito. Guardei as alianças por um mês até marcar um passeio com ela para fazer uma surpresa. Levei-a para um passeio ecológico e no meio do caminho parei o carro e com o coração saltando pela boca a pedi em casamento. Foi uma cena inesquecível para nós dois. Neste momento estávamos demonstrando um para o outro a aceitação e concordância mútua da nossa união. Conto este fato para que possam entender a dificuldade que havia em meu ser para alcançar o meu sonho de ter uma mulher ao meu lado. Teria que vencer o medo.

Certa noite, ao voltarmos de uma formatura, senti medo de ficar sozinho com ela, mesmo estando noivo. Decidi compartilhar com minha noiva sobre este medo, pois não queria estar casado e de repente ter medo de estar com ela em casa. Decidimos que eu iria procurar ajuda profissional, de algum psicólogo, e isto seria antes do casamento. Levei esta questão do medo para uma psicóloga de minha confiança, e falei do meu medo de ser abusado sexualmente pela minha noiva, do medo que havia na minha mente de ver minha masculinidade ser destruída novamente. Mesmo sabendo que minha noiva jamais faria isto senti medo. Era como se entre eu e ela surgisse um monstro enorme chamado “Abuso Sexual” e “Palavras Destrutivas”. Interessante que neste momento a questão da homossexualidade nem foi levado em conta. A homossexualidade havia ficado para trás e o que ficou foram resquícios de experiências ruins da infância e adolescência. Conforme ia tratando certas áreas em minha alma, a homossexualidade ficava cada vez mais distante. A psicóloga fez um trabalho excepcional em cima de várias experiências traumáticas que vivi, utilizou uma técnica chamada EMDR. Detectamos que o medo era devido ao abuso sexual que passei há 20 anos atrás. As sensações do abuso sexual e das palavras que ouvi ficaram em minha mente e sempre que algum gatilho era acionado o medo surgia na minha frente. Este gatilho poderia ser simplesmente uma palavra que ouvia, como exemplo: Estava ao telefone conversando com minha namorada e ela disse para mim que iria fazer algo bem gostoso assim que nos encontrássemos. Estas palavras acionaram um gatilho onde pensei que ela iria fazer o mesmo que a namorada que tive á 20 anos atrás que causou o abuso. Neste momento eu queria terminar o namoro e ficar longe dela, fugir dela. O medo fazia com que eu parasse e não enxergasse mais nada na minha frente, a não ser o abuso sexual que poderia vir a sofrer. A psicóloga utilizou esta técnica chamada EMDR que desensibilizou o trauma causado pelo abuso sexual. Por incrível que pareça, não sobrou nenhum resquício do abuso que sofri. Foi como ela disse no início do tratamento, que eu iria estar sentado no banco do passageiro de um carro olhando a paisagem passar. Estive sendo acompanhado por ela durante seis meses, em um período recebi a ajuda do seu marido. Foi de grande importância estar sendo aconselhado por este homem. Com ele pude ouvir situações que acontecem no relacionamento existente entre homem e mulher, como ter uma boa convivência com o sexo oposto. Conversávamos sobre sexualidade, intimidade sexual, relacionamento e outros assuntos de grande relevância para quem estava prestes a se casar. Este caminhar foi até o casamento e sei que posso contar com ele sempre que precisar. Procurei aproveitar todas as oportunidades que surgiam em minha frente, vários casais estiveram comigo neste período de restauração. Deixo claro aqui que em nenhum momento ninguém tentou mudar minha sexualidade, houve sim um tratamento de várias áreas da minha vida que acabaram atingindo uma melhora gradativa em minha sexualidade, onde os desejos homossexuais foram gradativamente perdendo força. O medo foi lançado fora, descobri que o verdadeiro amor lança fora todo o medo.

Casei-me em 2006, agradeço a Deus por ter usado de pessoas em minha caminhada de restauração para que pudesse me relacionar adequadamente com uma mulher. Não há necessidade alguma em fazer o que eu fazia, a vida que levo com minha esposa é gratificante em todos os sentidos. Tenho alcançado saúde emocional e através disto tenho me tornado um homem melhor, um cristão melhor. As feridas na alma que carreguei por cinco anos, dificultavam minha caminhada como cristão. Quando aceitei a Cristo em minha vida tive a convicção que estava salvo, mas também sabia que precisaria tratar as feridas que estavam na minha alma. Deus também nos oferece saúde emocional. Paz é o que sinto. Realmente a vontade de Deus para os que o amam é boa, perfeita e agradável. Casei-me porque não queria viver só, mas não é o casamento que irá dizer que uma pessoa deixou a homossexualidade.

Eu quero o bem desta terra e você? Muitos me chamam de louco, por ir contra o padrão deste mundo. Mas Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias. Escolhe os pequenos para confundir os grandes. Para você que deseja mudança de vida, que está cansado de tudo que tem feito, saiba que há esperança para você, enquanto houver vida, haverá esperança. Declare com sua boca que Jesus é o único Senhor e Salvador de sua vida, procure um povo de Deus para receber você, um povo que pregue Jesus como único Senhor e Salvador, passe a viver conforme a sua palavra porque, assim como Jesus me chamou pelo meu nome, Ele também te chama pelo seu nome.

A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

Neste segundo trimestre letivo de 2008, voltamos à Teologia Prática, ou seja, ao estudo da Palavra de Deus relacionado com as atitudes, com as ações, com os atos dos cristãos. Tal aspecto do estudo das Escrituras é demasiadamente importante, em especial nos dias em que vivemos, em que o desenvolvimento dos meios de comunicação e a enorme gama de informações fazem com que haja um natural desgaste das palavras, desgaste este, entretanto, que desaparece diante de uma vida sincera e que realiza tudo quanto está escrito. Não é à toa que Lucas, no início do livro de Atos dos Apóstolos, fez questão de dizer que, em primeiro lugar, Jesus fazia, para só depois ensinar (At.1:1).

Estudaremos, neste trimestre, “as disciplinas da vida cristã: trabalhando em busca da perfeição”, um estudo que analisa como deve ser o dia-a-dia do servo de Deus sobre a face da Terra, como deve ser seu comportamento como alguém que está a adorar ao Senhor no meio de uma geração perversa, quais são as ações e atitudes que devem fazer parte do cotidiano de cada um que está esperando o arrebatamento da Igreja.

“Disciplina”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”, “obediência às regras e aos superiores”; “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”; “ordem, bom comportamento”; “obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”, palavra que vem do latim “disciplina, ae”, cujo significado era “ação de se instruir, educação, ciência, disciplina, ordem, sistema, princípios de moral”.

Percebemos, pois, que o intuito do trimestre é mostrar qual deve ser o comportamento do cristão no seu dia-a-dia, na sua vida diária, pois, embora estejamos livres por força da obra redentora de Cristo no Calvário, liberdade tem, como correspondente necessário, a responsabilidade. Jesus, mesmo, ensinou-nos que, para segui-lO é necessário, antes, renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23; 14:27), ou seja, a liberdade que há em Cristo exige uma disciplina, uma conduta, pois não fazemos o que queremos, mas cumprimos a vontade do Senhor.

É interessante observar que os seguidores de Jesus são chamados de “discípulos”, ou seja, “alunos”, “aprendizes”, mas a palavra “discípulo” está diretamente relacionada com a palavra “disciplina”. Servir a Jesus, portanto, é sujeitar-se a uma disciplina, a um regulamento, a um modelo, é obedecer a uma série de preceitos, sem os quais não se atingirá o objetivo da nossa fé no Senhor, que é a salvação de nossas almas (I Pe.1:9). O Senhor deixou claro que a sujeição a esta conduta é a característica do discípulo (Lc.14:27).

Estudar, portanto, “as disciplinas da vida cristã” nada mais é que verificar quais as atitudes e ações que a Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus, exige de cada um de nós durante o tempo de nossa peregrinação por esta Terra. Enquanto aguardamos a volta do Senhor, temos de ter um viver de acordo com a Sua vontade e é este modo de viver que caracteriza as “disciplinas da vida cristã”.

Após uma lição introdutória, em que verificaremos que a vida cristã tem de ser disciplinada mediante três figuras bíblicas desta disciplina (soldado, atleta e agricultor), estudaremos sobre o amor, o elemento móvel de toda a disciplina cristã (lição 2). Em seguida, passaremos a estudar cada uma das atividades indispensáveis para uma vida cristã disciplinada, a saber, a oração (lição 3), a leitura devocional da Bíblia (lição 4), o culto cristão (lição 5), o serviço cristão (lição 6), a contribuição financeira (lição 7), o louvor (lição 8), a resistência às tentações (lição 9), o testemunho cristão (lição 10), a oração e o jejum pela Pátria (lição 11), a união cristã (lição 12) e a firme confiança no Senhor (lição 13).

Que, após o estudo deste trimestre, possamos ter verificado a nossa vida cotidiana, o nosso dia-a-dia e, após uma reflexão sincera, a Palavra de Deus possa torná-lo muito mais agradável ao Senhor do que atualmente, pois “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4:18).

B) LIÇÃO 1 - AS DISCIPLINAS DA VIDA CRISTÃ

Quem serve a Jesus é um discípulo do Senhor, ou seja, alguém que tem uma disciplina a cumprir.

INTRODUÇÃO

- Estudaremos, neste trimestre, as disciplinas da vida cristã, ou seja, o conjunto de ações e atitudes que temos de observar para servirmos a Deus. Quem serve a Jesus é Seu “discípulo”, ou seja, alguém que aprendeu a viver de uma determinada maneira, para que sua vida possa glorificar o nome do Pai que está nos céus (Mt.5:16). “…O verdadeiro discípulo precisa ser uma pessoa disciplinada…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Disciplina. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.17 8)

- Nas Escrituras Sagradas, o cristão é apresentado por três figuras que bem explicam o caráter indispensável da disciplina na vida espiritual: o agricultor, o soldado e o atleta. Todos estes evidenciam, em suas atividades, a necessidade da disciplina na vida diária de cada crente.

I - O QUE É DISCIPLINA

- “Disciplina”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”, “obediência às regras e aos superiores”; “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”; “ordem, bom comportamento”; “obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”, palavra que vem do latim “disciplina, ae”, cujo significado era “ação de se instruir, educação, ciência, disciplina, ordem, sistema, princípios de moral”.

- Na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra “disciplina” aparece por cinco vezes, sendo que, no Antigo Testamento, apenas no capítulo 23 do livro de Provérbios (Pv.23:12,13,23), enquanto que, em o Novo Testamento, aparece em duas oportunidades, em Cl.2:23 e Hb.12:8.

- No Antigo Testamento, a palavra “disciplina” é “musar” (????), palavra que significa “correção”, “instrução”, “castigo”. Nas três vezes em que aparece no capítulo 23 do livro de Provérbios, está relacionada com uma vida regrada, que segue os parâmetros estabelecidos por alguém, seja o próprio Deus (o “redentor forte” de Pv.23:11), sejam os pais (Pv.23:13), sejam as regras sociais cotidianas (Pv.23:23). A propósito, neste último versículo, a disciplina é, ao lado da sabedoria e da prudência, a conseqüência pela compra da verdade, o que nos remete, imediatamente, à circunstância de que a disciplina é o resultado direto pela submissão à Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17).

- Em o Novo Testamento, a palavra “disciplina” aparece em Cl.2:23 traduzindo a palavra grega “apheidia” (???????), cujo significado é “severidade”, “tratamento duro”, expressão que o apóstolo aplicara para as práticas ascéticas seguidas pelos gnósticos que estavam perturbando a igreja em Colossos.

- Já em Hb.12:8, a palavra “disciplina” traduz a palavra grega “paidéia” (???????), palavra que corresponde ao hebraico “musar” e cujo significado é “instrução”, “disciplina”, “castigo”. No texto em apreço, o escritor aos hebreus faz questão de mostrar aos servos de Deus que o Senhor nos mantém sob disciplina porque nos ama, porque faz parte do real e verdadeiro relacionamento com Deus a manutenção de uma vida regrada, de uma vida disciplinada.

- O primeiro significado de disciplina é “”o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”. Não é por outro motivo que o Senhor Jesus Se disse o único Mestre (Mt.23:8), porque “disciplina” é o aprendizado junto ao Mestre e somente podemos ter disciplina se aprendermos da própria Verdade, que é Jesus (Jo.14:6). Não há como alcançarmos descanso para as nossas almas, ter paz com Deus se não aprendermos de Cristo (Mt.11:29).

- Ser “discípulo” de Jesus importa em ter uma “disciplina”. Para servir ao Senhor, impõe-se dEle aprender, tê-lO como Mestre, passar a imitá-lO (I Co.11:1), tê-lO como exemplo (I Pe.2:21). Por isso, não há como entender uma vida cristã sem “disciplina”, sem o ensino de Jesus, ensino este que se encontra na Bíblia Sagrada, “porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm.15:4).

- Não se compreende, pois, que pessoas queiram servir ao Senhor Jesus, digam-se “crentes” na atualidade mas não têm qualquer interesse em aprender de Jesus, nem sequer fazem uma leitura devocional diária das Escrituras Sagradas. Tais pessoas são “sem disciplina” e, por isso, não podem ser consideradas como verdadeiros “discípulos” do Senhor.

- O segundo significado de “disciplina” é “obediência às regras e aos superiores”. A disciplina, neste significado, lembra-nos que o ser humano não é senão uma criatura na ordem cósmica. Embora tenha sido criado como a “coroa da criação terrena” (Sl.8:5), o homem não passa de um mordomo do Senhor, ou seja, alguém que tem de se sujeitar a Deus, o único e exclusivo dono de todas as coisas que há no universo (Sl.24:1).

- A disciplina é, portanto, um aspecto da mordomia, pois, em sendo “obediência às regras e aos superiores”, nada mais é que a obediência a Deus, o Criador, Aquele que fez o homem e que lhe determinou um modo, uma maneira de viver. A disciplina envolve, portanto, um modo de viver determinado por alguém superior, em termos espirituais, o modo de viver determinado por Deus aos homens.

- Muitos, equivocadamente, confundem a graça de Deus com a ausência de regras. Acham que o homem só deveria obedecer a regras e mandamentos na dispensação da lei, nos tempos de Moisés e que Jesus, ao trazer a graça e a verdade (Jo.1:17), estabeleceu um modo de vida sem quaisquer regras ou limites. Isto, porém, não corresponde à verdade bíblica, visto que, como ensinou o apóstolo Paulo (e não há, à evidência, no texto sagrado, alguém mais avesso ao legalismo do que Paulo), a vida em Cristo é um “andar conforme a regra” (Gl.6:16).

- Os salvos na pessoa de Jesus têm, sim, mandamentos a seguir, têm um modo de viver distinto, estabelecido e determinado por Deus, o que o apóstolo Paulo chama de “lei de Cristo” (I Co.9:21; Gl.6:2) e que se resume nos dois mandamentos, quais sejam, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc.12:31), mandamentos estes concretizados e sintetizados naquele que Jesus denominou de “novo mandamento”, que é o de amar uns aos outros como Jesus nos amou (Jo.13:34).

- Os homens sem Deus e sem salvação não andam conforme a regra, não se amam uns aos outros como Jesus nos amou, mas são “amantes de si mesmo” (II Tm.3:2), que se rebelaram contra Deus e não fazem senão satisfazer seus próprios desejos, confundindo “liberdade” com “libertinagem”, tendo uma “vã maneira de viver” (I Pe.1:18), mal sabendo, porém, que, em sua rebelião, estão assinando a sua própria sentença de morte eterna.

OBS: Recentemente, surgiu mais um “falso cristo”, José Luís de Jesus Miranda, criador do movimento “Creciendo en Gracia”, que tem entre seus “ensinos”, o de que “pecado é não fazer o que se tem vontade”, pois a “liberdade que há em Cristo” ( e ele se diz a reencarnação de Jesus) é “fazer o que se quer”. Esta mensagem absurda tem conquistado milhares de seguidores, porque está bem de acordo com o propósito rebelde do coração humano escravizado pelo pecado.

- A liberdade tem, como contrapartida indispensável, a responsabilidade. Deus nos criou com o poder de escolha, com o poder de decidir o que iremos fazer ou não, mas prestaremos contas de todas estas escolhas e decisões perante Ele, com quem haveremos de tratar um dia (Hb.4:13).

- O terceiro significado de “disciplina” é “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”. A “disciplina” envolve, portanto, o conjunto de regras, de procedimentos que devem ser seguidos a fim de que haja  bem-estar.

- Desde quando o homem foi criado, Deus estabeleceu regras ao homem para que ele vivesse bem e alcançasse a felicidade, que é o objetivo que Deus quer a todos os homens, a quem ama com um amor tal que deu o Seu Filho Unigênito para proporcionar a salvação. Quando o homem aceita estas regras, passa a viver conforme a vontade de Deus, alcança esta felicidade, felicidade esta que o texto sagrado chama de “bem-aventurança”, ou seja, uma felicidade além dos limites compreendidos pela limitada mente humana.

- Enquanto o primeiro casal seguiu o regulamento prescrito por Deus no Éden, teve uma vida de comunhão e de delícias, mas, em tendo desobedecido ao Senhor, perdeu esta comunhão, passando a viver separado de Deus, por causa do pecado (Is.59:2). Foi esta separação que Jesus veio desfazer (Ef.2:12-19), mas, além de termos de crer nEle, pois a salvação nos vem pela fé (Ef.2:8), temos, também, de nos submeter à vontade de Deus, ao regulamento, ou seja, termos uma vida disciplinada, sem o que não alcançaremos o fim da nossa fé, que é a salvação (I Pe.1:9).

- Não é por outro motivo que Jesus sintetizou a vida cristã em três atitudes, pois disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mc.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23). Estas palavras foram proferidas aos “discípulos”, ou seja, a quem quer se submeter à disciplina divina, ao modo de viver estabelecido e determinado por Deus em Sua Palavra.

- A primeira atitude é a de “renunciar a si mesmo” ou “negar a si mesmo”, o que envolve a anulação da própria vontade, o abandono da vontade própria em troca da vontade de Deus. A vida cristã envolve deixar os próprios desejos para que os desejos de Deus sejam cumpridos em nossa vida. Ter disciplina é, portanto, aprender o que Deus quer de nós e cumprirmos esta vontade em nossa existência.

- A segunda atitude é a de “tomar sobre si a sua cruz”, ou seja, assumir as responsabilidades e os encargos que a vida cristã exige, como, aliás, veremos ao longo deste trimestre letivo. Ser cristão é ser servo de Deus e o servo tem um serviço a realizar, tem tarefas a cumprir. Deus não nos chamou para ficarmos ociosos ou para simplesmente nos deleitarmos em momentos de reunião de adoração (como, infelizmente, muitos têm achado), mas, sim, para cumprirmos uma obra que Deus nos confiou, obra esta que deve ser realizada para a glorificação do nome do Senhor.

- A terceira atitude é “seguir a Jesus”, ou seja, tomar as mesmas atitudes, ter o mesmo sentimento, o mesmo pensamento e o mesmo proceder do Senhor Jesus, que nos deixou o Seu exemplo para que fosse seguido (I Pe.2:21). Neste momento é que devemos, como nunca, procurar aprender com o Senhor, mantendo com Ele um contínuo diálogo mediante a leitura e meditação da Palavra e a oração, para que, pelo Espírito de Deus, compreendamos o desejo, a vontade de Deus para as nossas vidas e para que ajamos cada vez mais como verdadeiros “cristãos”, ou seja, “pequenos Cristos”, “parecidos com Cristo”. Foi esta semelhança que fez com que os antioquitas denominassem de cristãos os discípulos em Antioquia (At.11:26).

- O quarto significado de “disciplina” é “ordem, bom comportamento”. Como já dissemos, a disciplina nada mais é que a assunção do modo de viver determinado por Deus ao homem. Nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33), de forma que a vida do cristão deve ser uma vida ordenada, uma vida que esteja de acordo com a ordem estabelecida pelo Senhor. O “bom comportamento” nada mais é que o comportamento de acordo com as Escrituras, que a conduta segundo a vontade de Deus. Por isso, o apóstolo Paulo dizia que não mais vivia mas era Cristo que vivia nele (Gl.2:20).

- O quinto significado de “disciplina” é “…obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”. Temos aqui a grande diferença entre o legalismo formalista e a disciplina da vida cristã. A disciplina é algo que vem de dentro, vem do coração do homem, não uma imposição ou uma aparência que não corresponde ao que está no interior. Jesus condenou duramente os fariseus precisamente porque eles construíam uma disciplina baseada na aparência, no aspecto exterior, sem qualquer preocupação numa real transformação interior. Disciplina não é a submissão a regras sob o ponto-de-vista exterior, mas, sim, uma obediência aos mandamentos divinos que tem sua origem no espírito, passa pela alma e atinge, por fim, o corpo (I Ts.5:23).

- A disciplina é a firmeza e a constância, que são fundamentais para se alcançar a vitória sobre o pecado e sobre o mal (I Co.15:57,58). Paulo, no término de sua vida, disse que havia “combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé”. O que significam estas expressões? Significam que Paulo, ao longo de toda a sua vida cristã, foi firme e constante. Diante das lutas, que nunca cessaram, manteve sempre o combate, o bom combate, porque era um combate feito com a armadura de Deus, de acordo com as regras estabelecidas pelo Senhor. Acabou a carreira, ou seja, jamais cessou de correr. A corrida do cristão não é uma prova de velocidade, mas, antes, é uma prova de resistência, com todas as dificuldades que existem na manutenção do fôlego e do objetivo de chegar ao final. Guardou a fé, ou seja, em momento algum se deixou abalar, deixou que as circunstâncias viessem a roubar a confiança que tinha em Deus. Esta firmeza aliada à constância é que o levaram a uma disciplina que lhe permitiu chegar ao fim, que é a salvação da sua alma.

II - FIGURAS BÍBLICAS DA DISCIPLINA DA VIDA CRISTÃ

- Tendo visto o que é a disciplina, deparemo-nos, agora, com três figuras bíblicas que procuram, através das coisas terrestres, ensinar-nos o significado da disciplina na vida cristã. Como o ser humano é limitado em seus pensamentos, que estão muito, mas muito aquém dos pensamentos de Deus (Is.55:8,9), torna-se necessário que, na Sua Palavra, o Senhor, que quer nos instruir, mostre as realidades espirituais através de coisas desta vida, sem o que não teremos condições de compreender a vida espiritual (Jo.3:9-12).

- A primeira figura bíblica que nos procura mostrar o significado da disciplina da vida cristã é a do soldado, do militar. Quem faz a comparação do cristão com o soldado é o apóstolo Paulo, que usa esta figura nas duas cartas que dirigiu a seu filho na fé, Timóteo. Em I Tm.6:12, mandou que Timóteo “militasse a boa milícia da fé” e, na segunda carta (a última carta escrita pelo apóstolo), afirmou que “ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente.” (II Tm.2:4,5).

- A imagem do soldado como a do cristão disciplinado é extremamente apropriada, porquanto o Senhor, quando disse que iria edificar a Sua igreja, disse que ela estaria em constante luta contra os poderes do mal (Mt.16:18). A vida espiritual sobre a face da Terra, portanto, é caracterizada por uma constante luta entre os servos de Deus e o inimigo de nossas almas, uma luta que é muito mais difícil e renhida do que a luta entre os homens, pois não envolve a carne e o sangue, mas as hostes espirituais da maldade (Ef.6:12). Podemos parafrasear o poeta brasileiro Gonçalves Dias e dizer que, para o crente, “a vida é uma luta, viver é lutar”.

- Desde as mais antigas eras da história da humanidade, a vida militar tem sido uma vida que, necessariamente, é distinta da vida civil, da vida comum dos cidadãos. Os militares não podem ter o mesmo modo de viver dos demais, pois ele deve estar pronto a lutar a qualquer momento, o que o leva a ter uma vida que o permita sair para a luta a todo instante, o que o obriga a manter uma boa alimentação, uma excelente forma física, uma vigilância sem precedentes, enfim, uma agilidade fora do comum.

- Duas são as características básicas da vida militar: a hierarquia e a disciplina. Tanto assim é que a própria Constituição da República, ao definir o que são as Forças Armadas, afirma, em seu artigo 142, que são “instituições permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina”, sendo que as polícias militares assim são chamadas exatamente porque também são construídas com base na hierarquia e na disciplina. A imagem do soldado, portanto, está relacionada diretamente com a idéia de disciplina.

- Em Israel, o soldado também gozava de posição diferenciada, distinta da dos demais cidadãos, sendo, inclusive, destacado dentre eles como se vê em Is.3:2. Para ingressar na peleja, determinava a lei de Moisés que somente poderia ir à luta o soldado que tivesse algumas qualidades, a saber (Dt.20:1-9):

a) alguém que confiasse em Deus - o exército de Israel não poderia amolecer seu coração nem se aterrorizar diante dos inimigos, porque deveria ser composto de pessoas que soubessem que Deus estava com eles e que pelejaria por eles para os salvar.

b) alguém que não estivesse embaraçado com os negócios desta vida - a lei de Moisés dispensava de ir à guerra quem tivesse casa nova e não a tivesse consagrado, quem tivesse plantado um fruto na vinha e não tivesse ainda logrado fruto dela, bem como quem tivesse desposado uma mulher e não a tivesse recebido, ou seja, pessoas que tinham objetivos imediatos no cotidiano e que, portanto, não teriam como se dedicar integralmente na luta contra o inimigo, diríamos, na atualidade, que não tivessem a sua mente na guerra. O apóstolo Paulo iria tomar este ponto da lei para dizer que quem milita para Cristo não pode se embaraçar com os negócios desta vida (II Tm.2:4).

c) alguém que não fosse medroso nem tímido - os covardes, aqueles que não tivessem condição de crer em Deus e que fossem desanimados, sem coragem, não deveriam ir para a guerra, pois, além de não terem condições de lutar, também iriam desmotivar os demais.

- Com o estabelecimento da monarquia, passou a ser direito do rei a convocação para fazer parte do exército (I Sm.8:11,12), a demonstrar, portanto, que o soldado era, também, alguém que era convocado, chamado pelo rei para a luta. O soldado tinha, portanto, de ser chamado, convocado pelo rei, tendo, pois, de ser submisso, de ser obediente não só ao rei, que era o comandante supremo, mas também aos maiorais que fossem postos diante dele (Dt.20:9).

- Percebe-se, portanto, que o soldado é alguém que está submetido a uma disciplina, ou seja, precisa ser uma pessoa qualificada, que esteja com sua mente voltada única e exclusivamente para a luta, que pode ocorrer a qualquer momento, que não pode se embaraçar com nenhum outro assunto a não ser os relacionados com a guerra, que não tenha medo da morte e que confie plenamente na justiça de sua luta, que está nas mãos de Deus.

- Estas características do soldado bem ilustram a disciplina da vida cristã. O cristão deve ter em mente de que foi chamado pelo Rei dos reis para a “boa milícia da fé” (I Tm.6:12), para o “bom combate” contra o mal e as hostes espirituais da maldade. Nesta luta, que se inicia quando aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas e só termina quando Jesus voltar para arrebatar a Sua Igreja ou, então, quando de nossa morte física, não podemos permitir que nada venha a distrair as nossas mentes, bem como não podemos nos amedrontar diante das investidas do diabo e de seus anjos, que procurarão sempre fazer com que o nosso “eu” que foi crucificado com Cristo desça da cruz e nos faça pecar.

- Uma das grandes armas do inimigo, em nossos dias, tem sido a distração, ou seja, o embaraço com os negócios desta vida. Diante das cada vez mais difíceis condições de vida, somos levados a nos dedicar mais e mais a nossos afazeres cotidianos, deixando-nos embaraçar com coisas que, em si, não são pecaminosas, mas que nos levam a ter nossa mente desviada para outro foco que não a luta que temos contra o inimigo de nossas almas.

- O soldado, porém, não se deixa embaraçar, está sempre pronto para atuar e, por isso, vive em constante treinamento com a sua armadura, está sempre em plena forma física, bem como vigilante, entrando em ação assim que chamado. Por isso, também, o soldado sempre se encontra bem alimentado e com sua saúde bem preservada, a fim de impedir que não possa atuar quando solicitado.

- O apóstolo Paulo bem afirmou que o cristão, consciente desta sua condição de soldado, deve ter a armadura de Deus, descrita em Ef.6:13-17, devendo estar treinado para delas usar em qualquer ocasião, bem como que mantenha uma boa forma, o que se faria por meio da oração, da vigilância e da perseverança (Ef.6:18). Vemos, portanto, que, assim como o soldado, deve o cristão, na sua vida diária, manter uma disciplina, um modo de viver que o permita lutar contra o inimigo a qualquer instante.

- Assim como o soldado em Israel tinha por objetivo e propósito defender o seu povo enquanto propriedade peculiar de Deus dentre os povos (Ex.19:5) e, portanto, em última análise, agradar a Deus e não aos homens, da mesma forma, o cristão, diz-nos Paulo, deve procurar agradar sempre a Deus, que foi quem o chamou para a peleja (II Tm.2:4). O soldado devia fazer a vontade do rei que o convocara, assim também o cristão, chamado e escolhido que foi por Cristo (Jo.15:16), deve sempre agradar ao Senhor e isto fará se cumprir o que está na Bíblia Sagrada. Temos sido bons soldados do Senhor? Ou já somos insurgentes, ou seja, rebeldes, que não seguem mais ao comando e que desertaram da luta contra o mal?

- O soldado deve estar em constante treinamento, para manter a forma física e a habilidade no uso das armas. Da mesma maneira, o cristão deve estar em constante treinamento, mantendo uma vida de oração, uma vigilância constante e uma perseverança ininterrupta, a fim de que tenha condições de bem se utilizar da armadura de Deus quando for atacado ou tiver de atacar o adversário. Temos esta habilidade com a armadura de Deus (cinturão da verdade, couraça da justiça, calçados na preparação do evangelho da paz, escudo da fé, capacete da salvação e espada do Espírito)? Temos feito “exercícios espirituais” para nos mantermos em forma?

- É importante considerar que o prêmio do soldado, que Paulo denomina de “coroa” (II Tm.2:5), lembrando, assim, o cerimonial do “triunfo romano”, ou seja, a comemoração que os romanos faziam em Roma na volta de suas vitórias militares, em que os vitoriosos eram coroados com coroas de louro (daí a expressão “os louros da vitória”), somente era obtido a quem “militava legitimamente”, ou seja, quem tivesse cumprido rigorosamente todas as determinações dos comandantes, quem tivesse se submetido a todas as regras estabelecidas, quem tivesse desempenhado todas as tarefas que lhe haviam sido dadas. Não bastava lutar, mas era preciso lutar “segundo a regra”. Se a nossa luta findasse neste instante, teríamos legitimidade para sermos coroados? Será que poderíamos repetir as palavras de Nosso Senhor: “Eu Te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer” (Jo.17:4)?

- A segunda figura bíblica que nos ensina a respeito da disciplina da vida cristã é a figura do atleta, utilizada por Paulo em I Co.9:24-27, figura, aliás, muito conhecida dos gentios, notadamente os gregos, que tinham a figura do atleta como um elemento proeminente em sua cultura. Aliás, a palavra “athletés” (???????), em grego, significa “lutador, o que combate nos jogos públicos, campeão, valentão”, palavra que vem de “athlos”(?????), cujo significado é “luta”, “combate”, “competição”, “concurso”.

- Vemos, portanto, que a idéia do “atleta” está muito relacionada com a do soldado e que, notadamente na Grécia e em Roma, os “atletas” eram aquelas pessoas que participavam das competições nos jogos públicos, demonstrando, assim, toda a sua valentia, toda a sua habilidade, suas condições muitas vezes tidas como supra-humanas, quase que divinas.

- O objetivo de todo “atleta” era o “atlon”(?????), ou seja, o “prêmio”, a “recompensa”, que, assim como os militares romanos, era obtido mediante a concessão de uma “coroa de louros” ao vencedor. O apóstolo Paulo dizia que corria atrás de um prêmio e, por isso, esforçava-se por evangelizar a todos, inclusive se submetendo às diferentes condições culturais para poder alcançar seus ouvintes (I Co.9:19-22).

- O cristão deveria lembrar-se das competições esportivas, tão abundantes naquela época (e que hoje, também, estão sempre em nosso cotidiano, pois até as Olimpíadas, a principal competição esportiva grega, foram restabelecidas), e verificar que o objetivo de todos os competidores era alcançar o prêmio, ter a vitória, ainda que todos soubessem que somente um o atingiria. Assim, se o fato de que todos os competidores não desanimavam e se preparavam para obter o prêmio, mesmo sabendo que um só iria alcançá-lo, o cristão deveria ter o mesmo ânimo, o mesmo propósito de vitória, ainda mais quando se sabe que não é apenas um ou alguns que obterão o prêmio, mas, pela graça de Deus, todos quantos chegarem até o final.

- Entretanto, como bem lembra o apóstolo, o atleta é alguém que se abstém de tudo a fim de ter a possibilidade de alcançar o prêmio(I Co.9:25). Um atleta, para poder ter chance de vencer uma competição, precisa dirigir sua vida tendo em vista única e exclusivamente o prêmio que pretende conquistar. Como vemos todos os dias, os grandes atletas estabelecem uma maneira de viver levando em conta tão somente os objetivos a que se propôs. Tem uma alimentação dirigida para a sua atividade esportiva, um período de sono também relacionado com sua atividade, um cronograma extremamente rigoroso, onde cada ação sua tem em vista tão somente a competição, a obtenção do prêmio.

- Ao vermos a determinação do atleta, a construção de uma maneira de viver que leve em conta tão somente a competição, única e exclusivamente o prêmio que pretende conquistar, devemos nos lembrar que o prêmio perseguido por ele é passageiro, temporário, é uma “coroa corruptível”, enquanto que o prêmio que o cristão pretende alcançar é algo que não passa, é eterno, uma “coroa incorruptível” (I Co.9:25).

- O cristão, assim como o atleta, tem de se abster de tudo aquilo que possa atrapalhar o seu desempenho na luta diária contra o pecado e o mal, de tudo aquilo que possa comprometer a sua forma espiritual, de tudo quanto possa fazer com que o seu rendimento não o permita alcançar a vitória. Muitos cristãos, entretanto, assim como muitos atletas, deixam-se envolver pelas coisas desta vida, pelas distrações e acabam perdendo a sua forma espiritual, deixam de render e fracassam as suas carreiras, seguindo o triste exemplo de Demas (II Tm.4:10).

- Assim como o atleta, o cristão deve ser determinado, ou seja, ter a mente de Cristo, tudo discernindo espiritualmente, tudo relacionando com os seus compromissos e propósitos assumidos no instante em que aceitou a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador (I Co.2:9-16). O apóstolo mostra que o atleta é alguém que vive em constante estado de concentração, que não perde de vista o seu alvo, que é a vitória na competição, não se deixando distrair, perder-se por tudo quanto está à sua volta. Nas competições esportivas, é sempre observado que todos os competidores estão concentrados, com sua atenção voltada para o embate, ainda que multidões estejam à sua volta.

- O apóstolo insiste em dizer que o cristão não pode ser alguém menos concentrado do que o atleta. Pelo contrário, diz que corria não como a coisa incerta, combatia não como batendo no ar (I Co.9:26). Lamentavelmente, não são poucos os que crentes se dizem ser que não sabem o que, porque e para que estão na igreja. Andam desatenciosamente, não têm em sua mente o objetivo de servir a Deus e de que estão indo para o céu, o que os levam a ser levados de um lado para outro, por ventos de doutrina (Ef.4:14) e nas ondas da incredulidade (Tg.1:6,7).

- O cristão deve ser alguém determinado, que bem sabe o que quer, o que deve fazer, porque está servindo a Deus e para que O serve. É alguém que tem um propósito definido e que, por causa deste propósito, deste alvo e desta esperança, estabelece uma disciplina, purificando-se a si mesmo porque sabe que Jesus é puro (I Jo.3:3) e que não importa o que procura atraí-lo neste mundo, pois está almejando a sua cidade, que está nos céus, donde espera o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp.3:20). O prêmio do cristão é o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp.3:14), o galardão que está com o Senhor e que corresponde à obra de cada um (Ap.22:12).

- Esta é a determinação do cristão e não um suposto poder miraculoso da vontade própria ou dos desejos, como tem sido ensinado pelos arautos da falsa doutrina da confissão positiva, mas, sim, uma disposição de se abster de tudo quanto possa nos atrapalhar de servir a Deus, uma firme disposição de reduzir a natureza pecaminosa que existe em nós à servidão (I Co.9:27), de impedir que a concupiscência gere o pecado em nós (Tg.1:13-16), pois estamos mortos para o mundo e vivemos agora única e exclusivamente para Deus (Rm.6; Gl.2:19,20).

- Temos tido a mesma determinação que têm os atletas? No planejamento de nosso viver diário, damos o devido valor ao prêmio da coroa incorruptível que estamos a perseguir, assim como os atletas constroem seu cotidiano levando em conta o prêmio passageiro que pretendem obter na próxima competição? Temos nos abstido de tudo quanto possa nos atrapalhar de ir para o céu, assim como os atletas se abstêm de tudo quanto possa comprometer o seu rendimento nas competições esportivas? Temos uma disciplina de subjugo de nossa natureza pecaminosa, assim como os atletas subjugam o corpo para dele poder obter condições plenamente favoráveis para a sua vitória?

- Todo o esforço dos atletas, como disse o apóstolo, é para um prêmio passageiro, para uma vitória que, pouco depois, estará esquecida e nada mais representará, inclusive nos meios esportivos. Por isso, o apóstolo, quando escreveu a Timóteo, filho de grego e de judia, quis mostrar que o exercício corporal tinha pouco proveito ante a excelência da piedade, que nada mais é que a prática dos “exercícios espirituais” (I Tm.4:8). Temos procurado nos aprimorar nos “exercícios espirituais”, ou seja, na piedade, que não só nos faz ter bons instantes e momentos nesta vida mas também nos garante a vida eterna?

- “Piedade”, diz-nos a Bíblia On-Line da Sociedade Bíblica do Brasil, é “o respeito pelas coisas religiosas, o espírito de devoção”.  É a tradução da palavra grega “eusebeia” (????????). Segundo o Novo Dicionário da Bíblia, organizado por J. D. Douglas, “…uma análise completa da piedade, segundo o Novo Testamento, incluiria a expressão prática da fé numa vida de arrependimento, de resistência às tentações, de pecado mortificado e, igualmente, em hábitos de oração, ações de graças e observância reverente da Ceia do Senhor; no cultivo das virtudes de esperança, amor, generosidade, alegria, domínio próprio, resignação paciente e contentamento; na busca da honestidade, da retidão e do bem dos outros em todas as relações humanas; no respeito pela autoridade divinamente constituída, na Igreja, no Estado, na família e no lar. Todas essas atitudes e práticas são recomendadas por Deus e O glorificam…” (Piedade. In: O novo dicionário da Bíblia, t.II, p.1285).

- Podemos dizer que temos uma vida piedosa? Podemos afirmar que temos nos esforçado para que nossas ações sejam cada vez mais piedosas? Temos treinado a cada dia obedecer aos ditames das Escrituras de forma que nossos relacionamentos com Deus e com o próximo sejam cada vez mais similares aos que foram feitos pelo Senhor Jesus enquanto esteve entre nós?

- A terceira figura bíblica que nos fala da disciplina da vida cristã é a do agricultor. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías dizia que o lacrador era alguém que era instruído por Deus acerca do que deveria fazer (Is.28:24-26).

- Com efeito, a atividade agrícola é uma atividade “sui generis”, pois, além de ter de realizar suas atividades de um certo modo, ou seja, de forma disciplinada, o agricultor sempre estará na dependência de fatores alheios à sua vontade, visto que de nada adianta tomar todas as providências que estão ao seu alcance se não houver chuva, se o tempo não colaborar. A “…atividade agrária, concebida, segundo a teoria agrobiológica, como a atividade humana de cultivo de vegetais e de criação de animais, exposta à presença de um processo orgânico de desenvolvimento desses vegetais e animais, sujeito às leis naturais - e, portanto, não totalmente controlado pelo homem…” (REZEK, Gustavo Elias Kallas. Imóvel agrário: agrariedade, ruralidade e rusticidade.

Comentário : Dr. Caramuru Afonso


INTERAÇÃO


Prezado professor, neste trimestre estudaremos “As Disciplinas da Vida Cristã”. São treze lições que tratam dos exercícios espirituais necessários ao pleno desenvolvimento de uma vida cristã madura, equilibrada e triunfante. O comentarista, Pr. Claudionor de Andrade, além de ser um dos mais respeitados teólogos do Brasil, é um piedoso servo de DEUS, conhecido por sua vida disciplinada e profundo amor a JESUS. Em suma, estas lições refletem a tônica da exortação de Paulo em 1 Tm 4.7: “Exercita-te a ti mesmo em piedade”. DEUS o abençoe!



I. O QUE SÃO AS DISCIPLINAS DA VIDA CRISTÃ
Há muitas disciplinas e práticas que nos ajudam nessa caminhada. Cito algumas apenas como exemplos que possam nos encorajar:
o estudo da Palavra; a leitura devocional; a leitura panorâmica da Bíblia; o tempo separado para oração compreendendo a adoração pelo que DEUS e, ação de graças pelo que faz, confissão pelo que temos feito, pedidos por nós e intercessão pelos outros; a oração que dura todo o dia; meditação; jejum regular, aprendendo com a renuncia e dependência de DEUS, também com uma intenção especifica (não como troca de favores) diante de DEUS; anotações de suas experiências com DEUS, num rico registro de nossa caminhada com Ele, altos e baixos, confissões, orações e louvores escritos; dias de descanso que também podem ser separados para planejamento e reavaliação de vida. Enfim, investir nessas e em outras disciplinas deve ter sempre a meta maior de conhecer a DEUS, seu caráter, seu poder, sua vontade, sua verdade, a fim de que possamos viver de acordo com essa verdade. Esse é o alvo e fim das disciplinas cristãs.

II. SÍMBOLOS DAS DISCIPLINAS DA VIDA CRISTÃ

Esta é uma pequena amostra dos subsídios para as revistas Lições Bíblicas. - Artigo extraído da revista Ensinador Cristão Nº 34 do 2º trimestre de 2008
Acerca das três figuras que melhor representam as disciplinas da vida cristã, observamos:
O soldado. Para que pudesse combater em prol de sua nação, o soldado precisava se submeter à dura realidade de sua nova vida: treinamentos constantes e perigosos, vigilância, coragem, espírito de corpo, aprendizado de técnicas de combate, primeiros socorros, como se orientar e andar em ambiente hostil e a superação do cansaço. Deveria saber utilizar com eficiência uma espada e um escudo, e também o arco e a lança. Esse homem defenderia sua pátria com todas as suas forças, e seria recompensado à altura: “Não havia dificuldade nos recrutamentos, pois os salários, aumentados pelos impostos locais, eram razoáveis - 1 denário por dia - a alimentação também era razoável - 900g por dia - e ao aposentar-se, cada soldado recebia um lote de terra, geralmente perto das fronteiras do império, onde sua experiência seria de extremo valor no caso de invasão” (Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, CPAD, pág. 296).

O atleta. O atleta deve ser uma pessoa disciplinada, dedicar seu tempo ao treinamento que lhe dará resistência e o fará conseguir chegar com sucesso a uma coroa. “Os gregos acreditavam que a saúde era tão importante quanto a educação. Na Grécia, havia quatro celebrações de jogos: Ístmicos, Nemeanos, Pítios e Olímpicos, sendo o último o mais importante e realizado a cada quatro anos… corridas curtas eram seguidas de outras longas e depois vinha o pentatlo, composto de saltos, corridas, discos, dardos e lutas. Havia também corridas de carro, boxe, corridas com armaduras e competições entre arautos e corneteiros. As regras para os competidores eram rígidas, e 30 dias antes dos jogos começarem eles se reuniam sob rigorosa supervisão: deviam exercitar-se regularmente, evitar excessos e obedecer a certas regras (1Co 9.25; 2Tm 2.5). Quando um evento terminava, um arauto proclamava o nome do vencedor e de sua cidade. O vencedor ganhava um ramo de palmeira, que mais tarde veio a ser a grinalda feita com folhas de uma oliveira sagrada (1ª Pe 5.4)”, (Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, CPAD, págs. 312-313).

O agricultor. O agricultor trabalha arduamente a fim de ver os frutos da terra. Precisa ser disciplinado para acordar cedo, trabalhar debaixo de sol ou de chuva, e paciente também, sabendo que é necessário que o tempo passe para que a terra dê seus frutos. “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”, Ec 11.1. Nos tempos bíblicos, o agricultor devia saber utilizar o arado, puxado por uma junta de bois, debulhar (separar) os grãos da palha, utilizar corretamente as provisões de água. Não era um trabalho como o dos nossos dias, onde a tecnologia tem facilitado o trabalho do campo com máquinas e outras engenhocas.


FIGURA

SIGNIFICADO

APLICAÇÃO

PRÊMIO

SOLDADO
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Disciplina na aflição
(1 Co 9.7a; 2 Co 10.3-5; Ef 6.10-17)

Resistência e perseverança no sofrimento

Aprovação


do
Comandante

ATLETA
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Disciplina no


cumprimento das regras (1 Co 9. 24-27)

Resistência e


perseverança no
que é reto

Coroa
da
vitória

LAVRADOR
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Disciplina na paciência e perseverança
(1 Co 9.7b,10-12)

Resistência e perseverança para colher os frutos

Resistência e perseverança para colher os frutos do labor
III. A EFICÁCIA DAS DISCIPLINAS DA VIDA CRISTÃ

As disciplinas cristãs são eficientes para que o crente seja vencedor nas lutas do dia a dia e para que seja um abençoador de todos os que o cercam.
É através da disciplina cristã que o crente se torna um vaso para honra e é usado para grandes obras do Senhor. Ser disciplinado implica em ser diferente, pois o mundo jaz no maligno e a grande maioria dos chamados “crentes” são apenas nominais e não cristãos parecidos com seu mestre. Seja fiel. lute contra seu maior inimigo, você mesmo.

Mensalão Cristão
Ficamos escandalizados com as notícias do suposto esquema do “Mensalão” – um artifício aparentemente utilizado pelo governo para ganhar a lealdade dos deputados da base governista por meio de pagamentos mensais de somas que totalizam valores astronômicos.
Porém, o que mais deveria nos escandalizar é o “Mensalão Cristão”. Você pensa que ele não existe? Está enganado!


Veja alguns exemplos do “Mensalão Cristão”:

- Toda vez que um cristão vai ao culto por obrigação
- Toda vez que um cristão contribui por obrigação, medo ou apenas costume
- Toda vez que um cristão canta sem prestar atenção na letra
- Toda vez que um cristão vai ao culto apenas para tomar a Ceia
- Toda vez que um cristão faz alguma coisa esperando algo em troca por parte de DEUS
Sim, pagamos o “mensalão” a DEUS para que Ele seja leal conosco, nos abençoe durante a semana e atenda a nossos pedidos de oração. Sim, pagamos o “mensalão” a DEUS para Ele que nos proteja do mal, nos arrume um emprego, cure um parente…
A contabilidade desse “mensalão” será conhecida no Dia do Juízo. Suas mãos estão limpas?
“Portanto, considere a bondade e a severidade de DEUS: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na bondade dele” (Rm 11.22).


O Velho Carpinteiro

Um velho carpinteiro estava para se aposentar. Ele contou a seu chefe os seus planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas e viver uma vida mais calma com sua família.
Claro que ele sentiria falta do pagamento mensal, mas ele necessitava da aposentadoria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores empregados e pediu a ele que construísse uma ultima casa como um favor especial.
O carpinteiro consentiu, mas com o tempo era fácil ver que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no serviço e se utilizou de mão de obra e matérias primas de qualidade inferior. Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira.
Quando o carpinteiro terminou seu trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave da porta ao carpinteiro. “Esta é a sua casa”, ele disse, “meu presente a você.”
Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito completamente diferente, não teria sido tão relaxado. Agora ele teria de morar numa casa feita de qualquer maneira.
Assim acontece conosco.
Nós construímos nossas vidas de maneira distraída, reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do que o melhor. Nos assuntos importantes nós não empenhamos nosso melhor esforço. Então, em choque, nós olhamos para a situação que criamos e vemos que estamos morando na casa que construímos.
Se soubéssemos disso, teríamos feito diferente. Pense em você como o carpinteiro. Pense sobre sua casa. Cada dia você martela um prego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede. Construa sabiamente. É a única vida que você construirá.
Mesmo que você tenha somente mais um dia de vida, este dia merece ser vivido graciosamente e com dignidade. A placa na parede está escrito:
“A vida é um projeto de faça você mesmo.”
Quem poderia dizer isso mais claramente? Sua vida de hoje é o resultado de suas atitudes e escolhas feitas no passado. Sua vida de amanhã será o resultado de suas atitudes e escolhas que fizer hoje. Autor: Desconhecido.
Moral da história. Você colhe o que planta.


O CARPINTEIRO DE NAZARÉ

A profissão de terrena de JESUS era carpinteiro, sua especialidade espiritual é ser carpinteiro de almas.
O carpinteiro encontra uma árvore caída, leva-a para sua marcenaria.
A árvore tem galhos, espinhos, nós e casca grossa.
O carpinteiro retira os galhos, limpa a árvore de todos os espinhos, lixa os nós, tira a casca e aplaina toda a madeira.
Serra, corta, lixa, enverniza, etc…
Faz um lindo móvel e onde tinha nós aparece agora lindas flores.


JESUS, nossos carpinteiro, nos recolheu do mundo onde estávamos caídos e nos levou para sua casa, a igreja.
Nós estávamos cheios de galhos de pecado, de espinhos de inimizade contra DEUS e seu povo, nós de feiúra espiritual e nas feições, éramos verdadeiros cascas grossas de maus-tratos.
O carpinteiro JESUS nos limpou e purificou de todo pecado, nos deu aparência de filhos de DEUS, nos deu amor, nos deus pais, mães e irmãos na casa do Senhor, nos concedeu o ESPÍRITO SANTO e nos reconciliou com o PAI.
Antes olhavam para nós e não viam beleza nenhuma, agora somos a imagem e semelhança de DEUS.
Que trabalho de carpinteiro!
“PORQUE SOU DIZIMISTA”
1. Sou Dizimista porque o Dízimo é Santo. Lv 27.30 Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor. 31 Se alguém quiser remir uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á a quinta parte. 32 Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será santo ao Senhor.
2. Sou Dizimista porque quero ser participante das grandes bênçãos. Ml 3.11 Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos. 12 E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos exércitos.
3. Sou Dizimista porque amo a obra de Deus na face da Terra. Ml 3.10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.
4. Sou Dizimista porque não quero ser amaldiçoado.  Ml 3.9 Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda.
5. Sou Dizimista porque Deus é dono de tudo. Sl 24. 1 Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam.
6. Sou Dizimista porque eu mesmo vou goza-lo na casa de Deus. Dt 14.23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias.
7. Sou Dizimista porque mais bem-aventurado é dar do que receber. At 20.35 Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber.
8. Sou Dizimista porque Deus ama ao que dá com alegria. 2 Co 9.7 Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.
9. Sou Dizimista porque tudo vem das Mãos de Deus. 1Cr 29.14 Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.
10. Sou Dizimista porque não sou avarento. 1 Tm 6. 10 Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores
11. Sou Dizimista porque meu rico tesouro está no céus. Mt 6.19-21 19 Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; 20 Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. 21 Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
12. Sou Dizimista porque tudo que peço recebo. Mt 7.7-9. 7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. 8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. 9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
13. Sou Dizimista porque obedeço a Deus. At 5.29 Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens. Pv 10. 22 A bênção do Senhor é que enriquece; e ele não a faz seguir de dor alguma.
14. Sou Dizimista porque a benção de Deus é que enriquece. Pv 10:22 </